Jean-Jacques Servan-Schreiber
Foi um jornalista brilhante, visionário mas um político falhado.
Jean-Jacques Servan-Schreiber, o "Citizen Kane" francês, precursor das tecnologias do futuro. Os franceses referiam-se a este grande patrão de imprensa pelas suas iniciais, JJSS. Editorialista de política internacional no jornal Le Monde aos 21 anos, piloto de caças aos 24 anos nos Estados Unidos, fundador do semanário francês L"Express aos 29 anos, e autor do best-seller mundial O Desafio Americano aos 43 anos, JJSS foi também deputado e ministro. Mas a sua carreira política não se comparou em nada à marca durável que deixou na imprensa francesa. Nascido em 1924 numa grande família judia francesa, republicana, intelectual e humanista, Jean-Jacques Servan-Schreiber mergulhou na imprensa desde a infância: o pai, Emile, foi o fundador do diário económico Les Echos, ainda hoje um dos títulos mais prestigiados em França. Sempre apressado, sedutor e estudante brilhante, o jovem JJSS terá um encontro determinante na sua vida com o socialista Pierre Mendès-France. Um encontro que lhe inspirou a criação do L"Express em 1953, juntamente com a jornalista, e sua companheira, François Giroud. Este semanário, moldado segundo a revista americana Time, será o primeiro news magazine francês e servirá de laboratório às ideias de JJSS.O L"Express é sem dúvida paradigmático da geração francesa do pós-guerra, que nunca desmentiu um certo gosto pelos combates difíceis mas eticamente correctos, e uma capacidade de revolta contra o que é previsível e normativo. O magazine esteve envolvido em todos os combates políticos desse período. Combateu o recurso à tortura na guerra da Argélia, defendeu a descolonização, criticou o totalitarismo da União Soviética e atraiu os grandes escritores do seu tempo - Albert Camus, Jean-Paul Sartre, François Mauriac, Raymond Aron.