Um paciente não é uma pessoa. Um paciente não é um indivíduo. Um paciente é um sujeito.” O que isso quer dizer? Rolón explica no prólogo de Palavras Cruzadas.
Psicanálise na prática, é sobre isso que esse livro se trata. Gabriel Rolón é psicanalista, publicou Histórias de divã em 2008 e Palavras Cruzadas, seu segundo livro, em 2010. Por que Palavras Cruzadas? Segundo o próprio autor, essa é a melhor definição para descrever o processo analítico, onde diversas palavras se cruzam a partir da dor do paciente e, com desejo, clareza e coragem, podem revelar uma verdade que mude a vida de uma pessoa para sempre.
Nessa obra, vamos conhecer de perto (dentro das sessões de terapia) 5 casos que Gabriel atendeu, sendo eles, Norma, Luciana, Rodolfo, Rocío e Víctor. Cada um traz sua própria bagagem, que inclui desejos, angústias, medos e relações afetivas complicadas. No caso de Norma, existe o pânico e o abandono. Com Luciana, questões de identidade são postas, assim como de violência. Rodolfo traz questões com a família, a perda e o fracasso. Já Rocío, faz surgir questões da adolescência, sua própria sexualidade e o luto. Ao final, conhecemos Víctor, que traz seus conflitos sobre paternidade, a culpa e os vínculos frágeis.
Gabriel, de forma muito lúcida e compreensível (esse não é um livro de jargões psicanalíticos) mostra dentro da clínica psicanalítica a busca pela verdade, não aquela universal, proposta por alguns filósofos, mas a verdade única de cada sujeito. Isso não necessariamente significa uma busca do bem-estar, mas a posição do psicanalista de auxiliar que seu paciente, ao se deparar com sua própria verdade, não retroceda diante de seus desejos, apesar dos medos que isso implique. Conhecendo a verdade, o que o sujeito escolher fazer com ela diz respeito a sua liberdade.
Não precisa gostar ou conhecer a psicanálise para ler Palavras Cruzadas, basta gostar de história, pois aqui temos 5 diferentes experiências de vida, cada qual com suas próprias questões a serem resolvidas.