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    Poesia completa -

    Maya Angelou

    Astral Cultural
    2020
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9786581438005
    Português Brasileiro
    4.3
    582 avaliações
    Leram752Lendo113Querem560Relendo2Abandonos16Resenhas110
    Favoritos75Desejados560Avaliaram582

    Através de sua ilustre carreira na Literatura, Maya Angelou presenteou, curou e inspirou o mundo com suas palavras. Agora, a beleza e espírito dessas palavras vivem nesta nova e completa coleção de poesia que reflete e honra a vida notável da escritora. Todas as suas frases poéticas, todos os seus versos comoventes podem ser encontrados nas páginas deste volume - de suas reflexões sobre a vida afro-americana à celebração revolucionária da condição da mulher negra. Atemporal, essa compilação definitiva aquecerá os corações dos mais ardentes admiradores da Maya Angelou assim como introduzirá novos leitores à poeta legendária, ativista e professora - uma mulher extraordinária para a atualidade.

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    mpettrus30/12/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Coração de Mulher, Mente de Escritora e Alma de Poeta

    Sempre tive enorme interesse em ler as poesias de Maya Angelou, a icônica escritora conhecida por seu empoderamento e defesa de mulheres e escritores afro-americanos deixando vasta obras de poesias e livros autobiográficos. Mas como lhes disse na resenha sobre o também poeta Paul Auster, ler poesia, ao menos para mim, é muito difícil. Eu preciso está desconectado da vida real para poder embarcar na jornada literária de ler um livro de poesias. Preciso antes de tudo, conhecer, ao menos o básico da autobiografia da vida do poeta, porque muito dos versos que escreve é sobre sua própria vida. Isso é uma característica muito própria na escrita poética. Ler poesias é um verdadeiro exercício de interpretação de textos e paralelos com a vida real do poeta. Felizmente, a oportunidade de ler essa incrível poetisa chegou e eu sem me demorar demais, agarrei a chance. E que experiência inesquecível. Ler o livro de poesias de Angelou me transportou para um lugar de reconhecimento daqueles versos, daquelas estrofes, de identificação. Diferentemente de quando li o livro de poesias do Álvares de Azevedo, ou do norte-americano Paul Auster ou até mesmo o da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, não houve dificuldades de reconhecer em seus poemas a sua intenção do seu dizer, da sua mensagem, dos seus conselhos, dos seus desabafos, das suas confidências. Foi uma conexão muito imediata e genuinamente muito acolhedora. A voz poética de uma mulher preta ressoou na minha alma, a alma de um homem preto. Não queria dá a esse fato uma importância além do que se tem, mas é difícil de não o fazer. Os poemas que contém temas do racismo e a luta por um mundo mais igualitário me marcaram profundamente. O poema ‘África’ me trouxe uma sensação tão poderosa de entendimento que poucas vezes sentir isso num tempo tão curto ao término da leitura de um poema. A poetisa descreve a situação do continente africano através da metáfora do corpo de uma bela mulher. E eu conseguir entender a decisão de fazê-lo nesse molde, porque o objetivo que ela quer atingir aqui é arrancar a empatia do leitor a partir do sofrimento do povo africano. Ao utilizar a metáfora do corpo de uma bela mulher, porque o sofrimento é mais tangível e mais escandaloso quando lhes é mostrado um rosto específico, a poetisa consegue criar no leitor a empatia com aquele povo, consegue tornar seu leitor simpatizante com a luta de sobrevivência dessas pessoas. E o que falar do poema “Pássaro Engaiolado”?! Eu fiquei num mix de emoções que é até difícil descrever. O poema fala de um tema, que nos dias de hoje nos parece banal, mas a época do seu lançamento, foi tipo vanguardista. A autora nos fala sobre resiliência. E é sobre, sobretudo, a resiliência do afro-americano, mas que de alguma maneira, em algum ponto nessa poesia, universaliza o tema para todos nós do povo preto. A metáfora do pássaro para contar sobre a história afro-americana foi muito simbólica. O pássaro quer alçar voo porque sabe que tem enorme capacidade para isso, mas se ver limitado preso numa gaiola. Perceberam o jogo de ideias aqui?! E esse poema te pega tão de surpresa porque inicia de maneira solar, leve e termina de maneira sombria, trágica. A experiência de ler as poesias de Maya Angelou foi arrebatadora. Não porque eu seja afro-americano, porque eu seja um africano, é simplesmente porque eu sou um homem preto e é impossível não levar em conta esse fato. Porque Maya é preta e falou disso em seus versos melancólicos, em sua poesia sombria, mas que também trazia uma carga de esperança para os seus iguais, seguindo um caminho para a África, de alguma maneira pátria de todos nós pretos. Mas não se enganem pensando que seus poemas se atém somente a essa pauta. Ela também é uma mulher. Lutou para ser vista como uma mulher em pé de igualdade com outro gênero: o homem. Então arrisco dizer que outros leitores irão se identificar com sua escrita. Ela descreveu vividamente através de aventuras pessoais uma gama de experiências enquanto mulher preta, tanto negativas quanto positivas, numa exposição ao longo da vida a vivência negra. Sobre seu estilo na escrita poética, na minha humilde opinião, seus poemas não seguem um padrão, não aparentemente. Seus versos são livres, não há uma rima em específico ou contagem de sílabas, por vezes, notei nos poemas linhas quebradas, mas, acredito que foi para dar uma sensação de andamento e ritmo na leitura de seus poemas com o objetivo de adicionar uma maior carga dramática nos seus veros. E confesso que para mim funcionou. Maya é uma excelente poetisa, principalmente por sua habilidade de utilizar muito bem as metáforas e conseguir fazer o leitor identificar exatamente o que ela quer dizer. As suas poesias, a própria personificação do coração de mulher, mente de escritora e alma de poeta, são como trens de memórias transportando lembranças boas e ruins. As memórias de dor descritas como histórias antigas são reais e importantes, porque ainda reverberam no nosso século XXI, e essas histórias se repetem porque a humanidade ainda não aprendeu com o passado não tão distante de hoje.

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    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas2%
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    Marguerite Ann Johnson profile picture

    Marguerite Ann Johnson

    Maya Angelou é talvez a figura mais vibrante da poesia contemporânea nos Estados Unidos. A escritora e poeta passou a infância na Califórnia, Arkansas, e St. Louis, e viveu com a avó paterna, Annie Henderson, na maior parte de sua infância. Aos sete anos, quando visitava sua mãe em Chicago, foi abusada sexualmente pelo namorado da mãe. Envergonhada demais para contar aos adultos o ocorrido, ela o confidenciou a seu irmão. Quando, mais tarde, recebeu a notícia que um tio seu havia matado o estuprador, ela sentiu que foram suas palavras que haviam eliminado o homem. Caiu em silêncio profundo e não falou durante cinco anos. Maya começou a falar novamente aos 13 anos, quando ela e o irmão foram morar com sua mãe, em San Francisco. Lá ela frequentou a Mission High School e ganhou uma bolsa de estudos para estudar dança e arte dramática na Labor School, onde entrou em contato com os ideais progressistas que animaram seu posterior ativismo político. Deixou os estudos no final da adolescência e tornou-se a primeira afro-americana a conduzir um ônibus em San Francisco. Mais tarde voltou aos estudos, mas engravidou logo após e se formou algumas semanas antes de dar a luz a seu filho Guy. Saiu de casa aos 16 anos e enfrentou a dura vida de mãe solo, sustentando-se e à criança, trabalhando como garçonete e cozinheira, porém sem desistir da música, da dança, da interpretação e da poesia, áreas em que demonstrava talento. Em 1952 casou-se com um marinheiro grego chamado Tosh Angelos. Ao iniciar sua carreira de cantora num clube noturno, assumiu o nome profissional de Maya Angelou, combinando o apelido da infância com uma versão do sobrenome do marido. Embora o casamento não durasse, sua carreira artística foi bem sucedida. Excursionou pela Europa com uma montagem da ópera Porgy and Bess, em 1954 e 1955. Estudou dança moderna com Martha Graham, dançou com Alvin Ailey em espetáculos na televisão e gravou seu primeiro disco, Calypso Lady, em 1957. Compôs letras de canções e poemas durante muitos anos e, no final da década de 1950, mostrou-se cada vez mais interessada em desenvolver suas habilidades de escritora. Mudou-se para Nova York, onde ingressou na Corporação dos Escritores do Harlem, integrando o número cada vez maior de jovens escritores e artistas negros associados ao Movimento dos Direitos Civis. Atuou na histórica montagem da peça Os Negros, de Jean Genet, escreveu e atuou em Cabaret for Freedom, com o ator e comediante Godfrey Cambridge. Em Nova York apaixonou-se por um ativista de direitos civis, o sul-africano Vusumzi Make e, em 1960, o casal mudou-se com o filho de Maya para o Cairo, Egito. Ali Maya foi editora de uma publicação semanal em inglês, The Arab Observer. Mais tarde ela e o filho Guy mudaram-se para Ghana, onde ela se integrou a um número crescente de expatriados americanos. Trabalhou como assistente de ensino e de administração na Escola de Música e Arte Dramática, da Universidade de Ghana, e como editora de The African Review. Escreveu para a publicação The Ghanaian Times e uma emissora de rádio, Ghanaian Broadcasting Company. Durante os anos passados no exterior, leu e estudou avidamente, chegando a dominar o francês, o espanhol, o italiano, o árabe e o fanti, uma das línguas da África Ocidental. Conheceu o líder dissidente Malcolm X, em suas visitas a Ghana, e correspondeu-se com ele, na medida em que o pensamento dele evoluiu de uma posição racialmente polarizada, em sua juventude, para uma visão mais inclusiva, quando ele chegou à maturidade. Maya Angelou regressou aos Estados Unidos em 1964, com a intenção de ajudar Malcolm X a estruturar sua nova Organização da Unidade Afro-Americana. Logo após sua chegada ao país, Malcolm X foi assassinado e os planos que ele tinha para uma nova organização se foram com ele. Maya envolveu-se com a produção de televisão e manteve-se ativa no Movimento dos Direitos Civis, trabalhando mais intimamente com o Dr. Martin Luther King Jr., o qual solicitou que ela atuasse como coordenadora nortista da Conferência Sulista da Liderança Cristã. O assassinato do Dr. King, ocorrido no dia do aniversário de Maya, em 1968, deixou-a arrasada. Com a ajuda de seu amigo, o romancista James Baldwin, ela encontrou consolo na escrita e começou a trabalhar no livro que receberia o nome de I Know Why the Caged Bird Sings (Eu Sei Porque o Passaro Canta na Gaiola). O livro narra a história de sua vida, a partir da infância, no Kansas e até o nascimento de seu filho. Foi publicado em 1970, amplamente aclamado pela crítica e alcançou enorme sucesso popular. De um dia para outro, Maya Angelou tornou-se uma figura nacional. Nos anos seguintes, seus livros de poesia e os volumes subsequentes de sua narrativa autobiográfica angariaram-lhe uma enorme quantidade de leitores. Foi cada mais solicitada como professora e conferencista, dedicando-se também ao cinema. Escreveu o roteiro e compôs a música do filme Georgia, Georgia (1972). O roteiro, o primeiro escrito por uma afro-americana a ser filmado, foi indicado para o Prêmio Pulitzer. Maya Angelou foi convidada por sucessivos presidentes dos Estados Unidos para desempenhar várias funções. O presidente Ford nomeou-a para participar da Comissão do Bicentenário da Revolução Americana e o presidente Carter convidou-a para trabalhar na Comissão Presidencial do Ano Internacional da Mulher. O presidente Clinton solicitou que ela compusesse um poema para ser lido em sua posse, em 1993. Desde 1981 ela é professora da Cátedra Reynolds, de Estudos Americanos, na Universidade Wake Forest em Winston-Salem, Carolina do Norte. Continuou a aparecer na televisão e em filmes, incluindo Poetic Justice (Justiça poética, 1993) e em Roots (Raízes), um marco da adaptação de um romance para a televisão. Dirigiu inúmeros programas documentais e teatrais, na televisão, bem como seu primeiro filme, Down the Delta (Descendo o Delta), em 1996. A lista de suas publicações inclui até agora mais de 30 títulos – livros de poesia, começando por Just Give Me a Cool Drink of Water ´Fore I Die (Apenas me dêem um gole de água fresca antes de eu morrer). Os livros de narrativas e ensaios incluem Wouldn´t Take Nothing For My Journey Now (Hoje nada levaria durante minha viagem), de 1993, e Even the Stars Look Lonesome (Até mesmo as estrelas parecem solitárias, 1997). Deu prosseguimento à narrativa de sua vida nos livros Gather Toghether in My Name (Reunam-se em meu nome, 1974), Singin´and Swingin´and Gettin´Merry Like Christmas (Cantando, dançando, ficando feliz como no Natal, 1976), The Heart of a Woman (O coração de uma mulher, 1981), All God´s Children Need Travelling Shoes (Todas as crianças de Deus precisam de sapatos para viajar, 1987) e A Song Flung Up to Heaven (Uma canção que sobe aos céus, 2002). Em 1991, 1994 e 1997, Maya Angelou participou de uma série de programas ao vivo para a Achievement Television, no qual respondeu a perguntas enviadas por estudantes de todos os Estados Unidos. Em 1993, Angelou leu um de seus poemas, chamado 'On the Pulse of Morning' (No pulsar da manhã), na tomada de posse de Bill Clinton como presidente. O poema que ela leu, foi transmitido ao vivo para o mundo inteiro. Este foi um dos pontos altos de sua carreira: ela recebeu o Grammy de melhor texto recitado pela sua leitura, e novamente a trouxe para a vista do público. Ao final de sua carreira, atuou como professora de história americana na Wake Forest University, Carolina do Norte; fazia excursões e dava palestras em vários lugares. Angelou morreu na manhã de 28 de maio de 2014. Ela foi encontrada por sua enfermeira. Embora tivesse a saúde debilitada e cancelado suas aparições agendadas, ela estava trabalhando em outro livro, uma autobiografia sobre suas experiências com líderes nacionais e mundiais. Durante seu memorial em Wake Forest University, seu filho Guy Johnson afirmou que, apesar de estar em constante dor devido a sua antiga carreira de dançarina e sua insuficiência respiratória, ela escrevera quatro livros durante o último ano de sua vida . Johnson disse: "ela deixou este plano mortal sem perda de acuidade e sem perda de compreensão". Os tributos para Angelou e condolências foram pagos por artistas, pessoas ligadas ao entretenimento, e líderes mundiais, incluindo o Presidente Bill Clinton e o Presidente Barack Obama, cuja irmã se chama Maya em homenagem a Angelou. Harold Augenbraum, da National Book Foundation, disse que "o legado de Angelou pode ser admirado e aspirado por todos os escritores e leitores em todo o mundo." Na semana após o falecimento de Angelou, "I Know Why the Caged Bird Sings" subiu para a posição de primeiro colocado na lista de best-sellers do Amazon.com. Em 29 de maio de 2014, na igreja de Mount Zion Baptist, em Winston-Salem, da qual Angelou foi membro por 30 anos, foi promovido um memorial público em honra a ela. Em 7 de junho, um memorial privado foi exibido ao vivo em estações locais na área de Winston-Salem/Triad e transmitido ao vivo no site da Universidade com os discursos de seu filho, de Oprah Winfrey, de Michelle Obama e de Bill Clinton. Em 15 de junho, um memorial foi promovido na igreja Glide Memorial, em San Francisco, onde Angelou foi membro por muitos anos. O reverendo Cecil Williams, o prefeito Ed Lee e o ex-prefeito Willie Brown discursaram. Em 2015, um selo do serviço postal dos Estados Unidos foi emitido em comemoração a Maya Angelou com a citação "Um pássaro não canta porque tem a resposta, ele canta porque tem uma música" de Joan Walsh Anglund, embora o selo erroneamente atribui a citação a Angelou. A citação é do livro de poemas A Cup of Sun, de Anglund.

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    Missouri, EUA

    Marguerite Ann Johnson