GINOCRACIA A UTOPIA FINAL - PARTE I - O PROFESSOR DE HISTÓRIA

    Fabiano Viana Oliveira

    Edição do autor
    2019
    174 páginas
    5h 48m
    ISBN-13: 9788591410354
    Português Brasileiro

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    Krishnamurti Góes dos Anjos16/02/2020Resenhou um livro
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    GINOCRACIA A UTOPIA FINAL

    Utopia é um termo concebido por Thomas More que serviu de título para sua principal obra, escrita em latim ali por volta do ano de 1516. O livro é um projeto humanista de transformação social que representa aspectos capitais do humanismo renascentista ao prefigurar um lugar ideal que não existe no agora, mas pode ser construído no futuro. É palavra que hoje ainda atribuímos as tentativas de construir modelos socioeconômicos melhores que os atuais e que, não existindo no presente, podem acontecer no futuro. Depois de Thomas More a humanidade vem gastando tinta e papel com o tema, a engendrar inúmeras obras com essa temática. Afinal a humanidade sabe, ao menos via intuição, que o amanhã vive no hoje e dessa forma sempre se perguntará por ele. Entretanto hoje, ante o curso que a humanidade imprimiu à sua própria história, positivamente nos inclinamos para as distopias, ou seja, as possibilidades inversas nas quais regimes totalitários, dominação, e infelicidade dão o tom. Franz Kafka escreve “O Processo” (1925), George Orwell publica seu “1984”, em 1949, Ray Bradbury imagina o seu Fahrenheit 451, no ano de 1953, Philip K. Dick nos apresenta “O Caçador de Androides” em 1968, e Anthony Burguess, engrossa o coro dos distópicos com “Laranja Mecânica” que é obra de 1971. A lista não para aí. Avança pelo século XXI tendo em Matrix, seu expoente mais significativo. As transformações que ao longo do tempo vêm ocorrendo no seio das sociedades contemporâneas, marcadas pela globalização e por um capitalismo predatório, conduziram a várias modificações que dizem respeito ao lugar que ocupa a utopia no seio da sociedade e ao estatuto literário que ela adquire. Assim, verifica-se que a utopia, em termos histórico-semânticos, evoluiu ao longo dos séculos, reconfigurando-se desde o momento em que Thomas More cunhou o termo e escreveu o seu Utopia. O certo é que a motivação de uma utopia ou distopia é sempre a situação presente em que é concebida. Portanto, existe influência muito grande da realidade na utopia. À essa relação ao mesmo tempo de proximidade e diferença, dá-se o nome de causalidade indireta. o ponto de partida é sempre o presente, ainda que seja considerado insatisfatório. O que move o autor do conteúdo imaginário utópico é um profundo descontentamento, uma visão de carência ética causada por sua experiência cotidiana. “Ginocracia a utopia final”, romance do escritor Fabiano Viana Oliveira retoma o fio do utópico muito certamente porque em momentos de crise generalizada como o nosso, seja vital vislumbrar saídas e sinalizar superações. Corre o ano 137 dH (depois do Homem) na face do planeta Terra. A humanidade depois de guerras devastadoras que ameaçaram seriamente a sobrevivência da própria espécie, vive um período de regeneração e relativa prosperidade. O gênero masculino quase extinto pelas batalhas, cede lugar ao comando feminino e vive-se a Ginocracia, ou o que se entende pelo governo das mulheres que afinal tomaram as rédeas dos destinos humanos. Uma conquista difícil fundada na crise, no sangue e na guerra, tendo bilhões de pessoas sido sacrificadas. Sabemos que a bancarrota do antigo sistema começou entre 2045 e 2051 - na antiga contagem do tempo - para tomar a configuração narrada na obra cerca de 200 anos depois. Portanto algo ali por volta do ano de 2250 da antiga era cristã. A trama romanesca se desenrola em uma cidade batizada de Elsinor, onde é possível uma vida saudável com expectativa de vida de 110 anos para os poucos homens que ainda perduram sob a face da terra, e de 145 anos para as mulheres, senhoras absolutas dos destinos do planeta. A sociedade concebida na obra, ainda que baseada na sustentabilidade tecnológica é um fenômeno de avanços científicos. Sistemas de transportes de alta velocidade interconectados, educação da melhor qualidade para todos, uso intenso de energia solar, completa reciclagem de tudo que se consome, e uma novidade realmente brilhante. O uso do dinheiro foi extinto completamente. Tudo funciona às mil maravilhas na base do trabalho voluntariado dos habitantes e das trocas de produtos. Uma sociedade limpinha e organizada muito bem controlada pelos computadores de uma grande CentralNet, com as funções de tudo ver, vigiar, e coordenar, sem maiores queixas da população ou sentimentos de sujeição e revolta. Verdadeiro sonho cor de rosa que projetava inclusive para um futuro próximo, a exploração e quem sabe colonização de outros planetas do universo profundo. Ocorre porém que nesse verdadeiro paraíso, é comum e mesmo corriqueiro as relações estáveis entre mulheres. Raríssimos os casais de mulheres e homens. Embora o livro não deixe muito claro se tal fato acontecia por mudança completa das opções sexuais femininas, somos levados a acreditar que sim, visto que naquela sociedade eram plenamente dominadas as técnicas de inseminação artificial e ainda assim, os casais de mulheres optavam por não fecundarem fetos masculinos. O gênero masculino perdera não só o comando social, como tornara-se elemento dispensável. É nessa ambiência que acompanhamos o desenvolvimento de quatro jovens em particular (entre 10 e 15 anos de idade) que estudam em uma escola onde o professor Hilder leciona História. Roberto, único menino de uma classe de 37 meninas, embora quase um rejeitado social, acaba por fazer amizade com as garotas Vanessa, Nora e Vanete. Esta última nasceu menino mas a tempo fez opção pela mudança de sexo. Com o passar do tempo, a intimidade entre os quatro que já entram na fase de adolescência se estreita, e laços outros começam a frutificar. Inevitável que de tal situação surgissem envolvimentos amorosos entre eles. E muita confusão também. Aí nesse mundo perfeito, as fissuras vão paulatinamente sendo disseminadas ao longo da narrativa. A garota Vanessa é belíssima e provoca reações vulcânicas no rapazinho Roberto que já começa a ter suas explosões hormonais incontroláveis a lhe causarem constrangimentos como o de ser flagrado se masturbando no vestiário do colégio. Mas ocorre também que, embora Vanessa e Nora acabem indo além das relações meramente de colegas de turma, cria-se um verdadeiro quarteto amoroso de difícil solução. A trama se complica ainda mais após um misterioso acidente que resultou na morte da engenheira chefe da usina de controle climático da cidade e que era avô de Vanessa. Muito bem, a obra em questão tem o subtítulo de: Parte I – O professor de história, o que nos leva a aguardar desdobramentos em outro(s) volume(s). O que vale registrar aqui, é que suscita no leitor uma reflexão acerca não somente dessa hipotética sociedade futura, mas da presente no que tange ao que se entende por amor ou por opção sexual. Dissemos acima que a motivação de uma utopia ou distopia é sempre a situação presente. Pensemos muito seriamente no que vamos nos transformando, e praticamente acabando por impor às novas gerações. Das opções que estamos a fazer hoje, quais reflexos poderão acarretar? Dessa verdadeira baderna (não encontro outro termo), para o que vai se passando no mundo atualmente em matéria de sexualidade, onde se presta pouca ou nenhuma atenção aos mais profundos sentimentos que nos nascem no coração, e acabamos por priorizar meramente as sensações físicas. Muito pode decorrer, inclusive de negativo. De extremamente negativo. Muito a refletir sobre... E indo um pouco mais além. Se quiser ter futuro, a sociedade atual teria que começar a construí-lo no presente, começando por renegar em bloco o tal sistema capitalista inclusive as “contradições dialéticas” de que o próprio sistema lança mão em proveito próprio. Teria que converter o impossível em possível por meio da vivência utópica de lugares de futuro, lugares reais e desafiadores. Começar de fato e persistentemente a incrustar no presente, ambientes regidos pela materialização efetiva da utopia. Como bem lembra Fernando Birri (citado por Eduardo Galeano): “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” A grande questão é que a nossa inteligência ainda não encontrou uma forma de levar a efeito uma coisa assim, sem que não seja na base das topadas e cabeçadas à torto e a direito. Tudo indica que teremos mesmo que descer ao nível da mais completa e abjeta lama, à ruína total e completa, para quem sabe, renascer ainda uma vez mais como lemos no livro “Ginocracia a utopia final”. Qual será nosso futuro? Livro: “Ginocracia a utopia final – Parte I – O professor de história”, de Fabiano Viana Oliveira , Edição do Autor, Salvador – Ba., 2019, 174 p. ISBN: - 978-85-914103-5-4 Link para compra e pronta entrega: https://clubedeautores.com.br/livro/ginocracia-a-utopia-final https://www.amazon.com.br/Ginocracia-Utopia-Final-Fabiano-Oliveira-ebook/dp/B07WH4TG2V/ref=sr_1_1?keywords=GINOCRACIA+A+UTOPIA+FINAL&qid=1581323621&sr=8-1

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