"? ... Se aqui a vida teima em secar, então temos que furar cacimba em outro lugar; quem sabe nossas flores que estão secas possam verdejar e desabrochar em vida em outro canto e trazer cores aos nossos olhos."
Preta mais uma vez tenta salvar uma criança que foi vítima da cruel seca que assola o sertão, mas sem muito sucesso, já que ali eles não possui uma boa alimentação. Preta e Jessé cansados da escassez de alimentos, da falta de emprego e do grande calor do sertão, pegam seu filho, Dinga, e vão andando com a esperança de chegar a grande cidade e mudar as suas vidas. Só que ao chegar na estrada, Dinga está a beira da morte, mas a esperança não se perde com a chegada de um viajante que lhe dá água, renovando um pouco da força do menino. Severino, como um bom homem, coloca aquela família na trasseira do seu caminhão e segue o rumo da grande cidade de São Paulo. Ao longo do caminho uma amizade nasce, nos fazendo perceber que ainda podemos ter fé nos seres humanos.
Com uma escrita sensível, onde podemos sentir o sofrimento das personagens, Eudílio nos mostra a cruel realidade do sertão, onde a chuva não cai mais e a morte é uma presença constante. Ao longo da leitura vemos como o autor ressalta o valor da fé e da amizade, e que não importa o que aconteça, podemos ter a esperança de que Deus ainda olha por nós. Severino foi uma personagem importante para percebermos o quanto a bondade é escassa nos dias de hoje, mas, que mesmo assim, ainda podemos ter esperanças de que ela exista. Ele coloca uma família que nem conhece em seu caminhão, os alimenta e os oferece lugar para descanso, mostrando a empatia de ter vivido a mesma coisa no passado. Essa também é uma obra sensível e envolvente, que vai nos mostrando a real situação do racismo, da traição, das máscaras usadas no dia a dia, do preconceito, da mentira, e outros muitos assuntos, sem maquiar o que o ser humano pode ter de ruim em seu coração. O autor está de parabéns pela sua escrita maravilhosa.