Este livro de Ivan Sarney vem juntar-se ao anterior, Chapéu de couro e palha, pois conserva idêntica temática e as narrativas giram no mesmo universo em que mito e homem se confudem. É curioso que um autor com a erudição de Ivan Sarney tenha laços tão estreitos com a oralidade do povo e procure resgatar, através da sua ficção, um Maranhão distanciado no tempo, com seus caminhos de mato cobertos de asfalto, as feiras-livres sem os desafios de viola, as ruas dos sobradões sem as serenatas, as quintas transformadas em conjuntos habitacionais. À margem dos modismos e das técnicas recomendadas pela crítica, principalmente a crítica comprometida com os figurinos franceses, Ivan mantém-se sereno na sua cidadela como a dizer-nos: é assim meu jeito de ver o mundo; é assim que consigo fazer pulsar, no tecido dos causos, o coração de saudosa brejeirice.

