O Mulato (Grandes Mestres da Literatura Brasileira #24) -

    Aluísio de Azevedo

    Escala
    2008
    258 páginas
    8h 36m
    ISBN-10: 8575567276
    Português Brasileiro

    Publicada em 1881 e considerada a obra inaugural do naturalismo brasileiro, O Mulato é um romance escrito em terceira pessoa e retrata a vida interiorana do Maranhão, seus costumes, sua gente e seus preconceitos à época do fim da Guerra da Tríplice Aliança. Segundo alguns críticos, Raimundo é uma personagem cientificamente inverossímil, pois sendo filho de pai branco e de mãe negra retinta, jamais poderia ter as características que são descritas pelo autor, principalmente os olhos azuis. O autor Aluísio Azevedo (1857-1913), de fato, não poupou adjetivos para descrever o mulato, idealizando extremamente

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    Clio picture
    Clio01/07/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    "Salvem as mulheres... matem todos os padres!" Começo essa resenha com uma frase atribuída a Eça de Queiroz em uma produção Global não apenas porque ele é mencionado na obra, mas para poder dizer que esse é o verdadeiro tema de O Mulato. Aluísio Azevedo recria a sociedade maranhaense durante o Segundo Reinado criticando duramente a situação do negro em tempos pré-abolicionismo e a conivência, quando não dizer atividade, da Igreja Católica na opressão desse grupo. O cônego Diogo (numa óbvia referência a nomenclatura "diabo") é o responsável por todos os dissabores e crimes ocorridos com as famílias de Ana Rosa e Raimundo. Quando não estava ativamente manipulando em proveito próprio, personagens de histórico similar assumiam seu lugar. Há um certo romantismo no livro, nada exagerado já que estamos falando de um representante do Naturalismo, mas a sensualidade é o que transforma a escrita em algo moderno, pressagiando o erotismo de escolas literárias futuras. A narração é impecável, muito similar em trama à casos reportados por jornais da época... assim, a impossibilidade de um Final Feliz fica aparente desde o primeiro capítulo. O triunfo do mal, essa realidade aviltante, deixa a obra com um sabor amargo, ainda que concordante. Recomendo.

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