“Os seres humanos são vermes mentirosos, um bando de lobos sedentos por sangue que só querem estraçalhar uns aos outros em sua luta por poder. Os escravizados não são melhores do que seus senhores, apenas mais fracos. Os inocentes só permanecem isentos de culpa por falta de capacidade. Antes de Paris se transformar num banho de sangue, todos falavam em igualdade, liberdade e fraternidade, em direitos humanos, e agora essas mesmas vozes são ouvidas aqui. Eu vi a declaração dos direitos humanos nas peles curtidas de homens esfolados, a cabeça já separada do corpo pela guilhotina. Aqui, os moradores da cidade e os camponeses também estão prontos para se levantar contra a nobreza, sua antiga opressora.”
O texto acima fez você lembrar alguma época vivida? Porque para mim foi um soco no rosto. Mas, nada que 2020 não supere, não é mesmo?
Sou uma leitora bastante comum e com isso quero dizer que sigo várias páginas de “vlogueiros” e “instragamers” que compartilham suas percepções e gostos pelos livros que leem conosco e confesso que gosto mais de uns que de outros. Entre meus preferidos está a “vlogueira” Ana Paula Laux, do "Literatura Policial", canal do YouTube que sigo com o maior prazer.
Foi lá que fiquei ainda mais interessada no livro em questão e soube que a tradução do nome do autor é "Nikolas Noite e Dia". Você deve achar essa informação inútil mas garanto que não é, já que o autor durante toda a narrativa mostra uma clara preferência por imprimir à sua obra um tom escatológico e, imagino, muito real e cruel. Quase como se a luz do dia impedisse que houvesse qualquer sombra dúvida sobre os fatos narrados e que a noite, fria e soturna, impedisse o leitor de ter esperança sobre um final menos trágico.
Suponho que o cenário descrito pelo autor seja muito realístico, já que segundo a biografia do mesmo, no final do livro, o descreve como tendo forte ligação com a história de seu país e como sendo descendente da mais antiga família viva da nobreza sueca. Que os deuses desculpem todos eles...
O livro é longo, sombrio, e com personagens frágeis e fortes ao mesmo tempo.
Eu comecei a ler "1793" no começo do inverno brasileiro mas nem por isso senti menos frio durante o tempo que convivi com seus personagens, a narrativa é deveras impressionante. Mas o que me deixou completamente fora da minha zona de conforto foi a imundice, a falta de higiene como um todo.
Uma leitura desconfortável, inquietante, mas viciante. Saber que seres humanos foram tratados por outros seres humanos daquela forma é impensável. Saber que até hoje tudo que foi narrado, pode estar acontecendo neste momento, é revoltante.
Embora a leitura não ofereça nenhum tipo de alívio, eu considero o livro muito interessante e não deixaria de ler mesmo sabendo do caminho difícil que foi chegar até o final.
Recomendo!