A era do Impacto

    James Marins

    Editora Voo
    2019
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-13: 9788567886329
    Português Brasileiro
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    Gustavo Simas18/05/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Movimento Transformador Massivo

    Foi no evento Impacta Mais de 2025 que me deparei com este livro do James Marins. Naquele espaço com corpos pensando as novas economias, essa obra surgiu com seu título atrativo. James Marins, inclusive, estava no evento; pena que não consegui pegar um autógrafo. A Era do Impacto é uma obra ambiciosa e bastante otimista, que busca mapear e celebrar essa transição planetária que estamos vivendo em direção a um futuro mais ético, colaborativo e consciente. Foi a partir do documentário de Mara Mourão (Quem se Importa, de 2013), que também faz um texto de prefácio, que a inspiração para James surgiu. O livro se posiciona tanto como uma análise, mas também como um "manifesto", um "chamado para que todos compreendam como estamos interligados", nas palavras de Mourão. Marins propõe que, apesar dos paradoxos e desafios globais, estamos vivendo a "melhor época da humanidade", uma era que ele define como um "Movimento Transformador Massivo" (MTM) impulsionado pela intersecção de avanços na liberdade, na economia e na consciência humana. O livro se estrutura em torno da exploração desse MTM, e faz um desdobramento em três componentes interdependentes: o Movimento Transformador da Liberdade (MTL), o Movimento Transformador da Economia (MTE) e o Movimento Transformador da Consciência (MTC). O argumento de Marins é que conquistas significativas em liberdades (fisiológicas, intelectuais, cívicas) combinadas com o acesso à tecnologia e à inovação, geraram uma "inédita energia criadora". Essa energia se manifesta no MTE via "novos designs cívicos e de negócios que propõem a reinserção da ética nas ações econômicas", com destaque para o empreendedorismo social, finanças sociais, startups de impacto e o conceito de "ética do impacto". Já o MTC é apresentado como a "intangível matéria adesiva que promove nosso aperfeiçoamento coletivo", o que permite uma evolução do egocentrismo ao globocentrismo. Reconheço que um dos pontos fortes do livro é a capacidade de inspirar e fornecer um contraponto ao pessimismo generalizado. Marins combate ativamente o que chama de "instinto de negatividade" e a "síndrome da retrotopia", tendo sua visão de progresso fundamentada em autores como Hans Rosling e Steven Pinker. "Não há retórica que sobreviva aos fatos", é o que ele enfatiza, e a "má informação gera enorme dificuldade comparativa". É ótimo o fato da obra ser rica em exemplos de iniciativas de impacto (principalmente de Curitiba, local em que James tem bastante contato). E muitas dessas iniciativas são ligadas à experiência do autor com o Instituto Legado, trazendo essa efervescência do empreendedorismo social e a capacidade de indivíduos e pequenos grupos gerarem mudanças significativas. Marins chama a todos para a ação; ele insiste que "a solução depende de cada um de nós" e que, na era da hiperconexão, "cabe a nós, tão somente, impulsionar problemas ou coedificar soluções". Por outro lado, tenho de reconhecer também que esse otimismo vibrante de Marins, mesmo que contagiante, por vezes arrisca subestimar a profundidade e a resiliência das estruturas de desigualdade e dos problemas sistêmicos que afligem o planeta. Mesmo que ele reconheça os "tristes paradoxos do nosso bissecular modelo de desenvolvimento utilitarista", como a coexistência de "penúria e abundância, fome e sobrepeso", a ênfase recai predominantemente sobre as potencialidades transformadoras. A análise dos obstáculos concretos e das forças que se opõem a esse MTM poderia ser mais aprofundada para equilibrar a narrativa. Além disso, a abrangência temática, que vai da liberdade à mecânica quântica, passando por economia e espiritualidade, numa tentativa de visão integral, resulta em certa superficialidade em alguns tópicos específicos. O fato de criticar Henry David Thoreau pelo seu distanciamento e isolamento da civilização é um ponto de crítica, já que pode ser visto por outra perspectiva, como o "aquilombamento civil" como diz Malcom Ferdinand em Uma Ecologia Decolonial. Da mesma forma, a confiança na descentralização e nas "novas economias" como vetores primários de transformação levanta a questão sobre o papel do Estado e das políticas públicas em garantir que os benefícios dessa "Era do Impacto" sejam verdadeiramente massivos e inclusivos, e não só restritos a determinados nichos ou geografias. "A Era do Impacto" é, sem dúvida, uma leitura relevante para empreendedores sociais, investidores, acadêmicos, estudantes e todos aqueles que querem compreender as dinâmicas de transformação social contemporâneas e se sentem impelidos a agir. No final, mesmo que o leitor discorde de certos diagnósticos ou projeções, a obra cumpre o papel de provocar uma "autorreflexão" e de reforçar a ideia de que, apesar dos desafios, "na última década, ganhamos a capacidade de enfrentar esses desafios, individual e coletivamente". É um convite robusto à esperança engajada e à co-criação de um mundo onde o impacto positivo seja a norma, e não a exceção.

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