Os Dublinenses de todos os lugares.
Pronto, engatinhei na obra de Joyce. E o que encontrei nesta primeira inserção, nada mais foi que mais uma confirmação de que as coisas são reflexos de outras. O homem que cruza as pernas ao sentar em um banco de Paris, estará também em São Luís. Os contos de complexidade fluida que encontramos em Dublinenses tratam de cenas cotidianas distintas umas das outras, mas que conversam num mesmo idioma. Como Joyce mesmo afirmou: se tivesse de construir Dublin novamente, em sua obra encontrariam a cidade viva e detalhada. Mas Joyce ultrapassou das descrições arquitetônicas nos contos contidos em Dublinenses; temos um bom retrato daquela época, de como o alcoolismo, a mentira, as facetas, a religiosidade, os adolescentes comuns e rebeldes fazem parte, são intrínsecos nas mesmas paredes descritas por Joyce. À cada um dos quinze contos, vemos algumas similaridades entre os diferentes enredos, não que tenham uma ligação diretamente, não, totalmente longe disso; porém o estilo de vida, o vício da fala, os relacionamentos agoniados e machucados são como alfinetes que prendem estes retratos atados num fio de barbante esticado pelos dedos de Joyce, nos expondo cada cena e situação originalmente Dublinense.
