Outros silêncios -

    Ana Maria Galdino

    Penalux
    2020
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-13: 9788558336420
    Português Brasileiro

    O silêncio – tanto quanto a palavra – é matéria da poesia. Dedicar-se às quietudes, às entrelinhas, aos minutos desapercebidos, é ser poético. Com estes pequenos momentos, com a espera de se agrupar infinitos silêncios, vai-se construindo a poesia. É preciso paciência para tanto. Ana Maria Galdino, na sua estreia de livros para adultos, desenvolve sua poesia com o olhar sóbrio para as atitudes pequenas. Contudo, em Outros Silêncios, a autora reconhece que o trabalho de um poeta – de alguém que olha para o desapercebido – é angustiante e solitário. Tudo parece noite, tudo parece chuvoso, tudo parece nublado. Tudo é insípido e sem cor. Mas há uma beleza incompreensível à maioria das pessoas. Há uma beleza na meditação do silêncio, na mesmice das horas, na branquitude das cores, na chuva, na noite. E esta beleza silenciosa cresce, aos poucos, para se transformar em belezas gritantes. Mas, para o grito, é necessário o silêncio. E esta obra, sabiamente, dedica-se a ele.

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    Alannys04/05/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Singelo, porém profundo

    A obra tem a autoria de Ana Maria Galdino, uma escritora, poeta e professora nascida no Valparaíso, interior de São Paulo. A autora tem grande parte da sua atuação na literatura infantil, sendo “Outros silêncios” a sua estreia na literatura para adultos. O livro é uma coletânea de poesias que se dedica a desvendar o silêncio. Para cumprir essa proposta, a poeta se propõe a observar cada detalhe a sua volta, transformando cada elemento rotineiro em poesia. Nas mãos da poeta, coisas mínimas podem virar monumentos, como o gemido das horas, a vista da janela, as ruas, a passagem dos meses e das estações e mais uma infinidade de coisas. No desenvolvimento, a autora explora o silêncio materializado em sua própria rotina, relatando o quê de monotonia dela através de seus escritos, para promover reflexões existenciais acerca do cotidiano. No decorrer dos versos, a poeta vai construindo uma nova perspectiva sobre o silêncio. A autora possibilita o conhecimento de uma nova face do mesmo, a face que grita e ensurdece o indivíduo que o vive. Nessa linha, Ana torna palpável cada fragmento que compõe o substantivo, revelando a angústia, a asco e a solidão. Depois dessas reflexões, a escritora reverte o próprio sentido da palavra, demonstrando cada elemento da rotina como um evento e cada partícula como parte de uma grande engrenagem: tudo é movimento. É nessa epifania que o silêncio grita, nas pequenas minúcias da rotina. A narrativa construída pela autora nos revela o mundo cinético, mesmo quando o silêncio nos invade, continuamos barulhentos, por fazermos parte do funcionamento dessa natureza que nunca para. Conhecer a perspectiva e a bela poesia de Ana Maria Galdino foi uma experiência sensacional. Recomendo que conheçam esse trabalho encantador!

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