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    A potência feminista, ou o desejo de transformar tudo -

    Verónica Gago

    Elefante
    2020
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788593115653
    Português Brasileiro
    4.6
    49 avaliações
    Leram65Lendo25Querem318Relendo0Abandonos5Resenhas5
    Favoritos8Desejados318Avaliaram49

    Um feminicídio é registrado a cada 29 horas na Argentina — um a cada oito horas, no Brasil. Verónica Gago assume a realidade e a luta das mulheres latino-americanas como ponto de partida para as análises de A potência feminista. Foi a violência estrutural e homicida contra as argentinas que desencadeou o movimento #NiUnaMenos, que logo se espalhou pelo continente. Cientista política, professora da Universidade de Buenos Aires e militante feminista, Verónica Gago engrossou o movimento, participou de assembleias, marchas e protestos, e, por dentro da mobilização, e em diálogo permanente com luta de mulheres de outros países, passou a enxergar a força contestatária do feminismo latino-americano para muito além do “identitarismo” e do “vitimismo”. Quando encarado em sua dimensão de raça, de classe, plurinacional, antiextrativista, e ao ganhar as massas, como tem ocorrido na Argentina com as manifestações pela descriminalização do aborto, o feminismo se torna revolucionário — e aponta inequivocamente para o desejo de transformar tudo. Essa é a tese defendida pela autora em A potência feminista. O livro dialoga com as ideias de Silvia Federici, Angela Davis, Nancy Frazer, Wendy Brown, Rosa Luxemburgo e Karl Marx, entre outras pensadoras e pensadores clássicos e contemporâneos. E defende a proposta da greve internacional feminista como instrumento revolucionário que visibiliza trabalhos e condições das mulheres invisibilizados historicamente pelo sistema. A realidade latino-americana obriga o feminismo a sair do binarismo vítima/algoz e a atravessar os conflitos enfiando transversalidade no “tremor simultâneo das camas, das casas e dos territórios”, explica Verónica Gago, sem deixar nada de fora, porque as lutas feministas atravessam tudo. É preciso reconceitualizar as violências machistas e politizá-las, para reconhecer seu horror e desarmá-lo.

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    Resenhas (5)Ver mais
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    Júlio Augusto15/09/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    É daqueles livros que te fazem pensar por dias depois de ler

    Adorei esse livro. Não conhecia, não tinha referências prévias. Botei no carrinho durante uma promoção da editora. A capa e o nome me chamaram a atenção. Que sorte eu tive de pegar esse! É imperdível. Impecável mesmo. Veronica é argentina, doutora em ciências sociais. Ela analisa e apresenta o momento atual do feminismo no planeta, comparando também o feminismo latino-americano. O que me impressionou foi como ela consegue ser tão atual e precisa e profunda nas questões sociais, econômicas e religiosas. Para apresentar o conteúdo ela parte da ótica das greves, protestos e assembleias. É importante lembrarmos que o movimento feminista se estrutura através de uma greve e foi ganhando novas pautas ao longo das décadas, então, Veronica analisa as greves, os protestos, as reivindicações conquistadas e o que ainda falta. Ela situa o leitor no que já aconteceu e pra onde o movimento tá indo. Por exemplo, ela explora como as greves feministas na Argentina e em outros países da América Latina não só lutaram contra a violência de gênero, mas também incorporaram demandas econômicas e trabalhistas. Depois, ela aborda vários contextos amargos do momento atual. As pautas aumentam, mas a força de trabalho e o capitalismo tão ganhando essa luta. Isso impacta o movimento, que deveria ter uma visão mais alinhada com as ideias de Marx. Veronica discute, por exemplo, como o trabalho doméstico não remunerado e o trabalho precarizado, que afetam desproporcionalmente as mulheres, são questões centrais para o feminismo contemporâneo. Um ponto interessante que ela levanta é como o movimento feminista está lidando com a financeirização da vida cotidiana. Ela analisa como as dívidas, especialmente as microfinanças direcionadas às mulheres, se tornaram uma nova forma de exploração e controle. Veronica também faz uma análise crítica de como o feminismo está se relacionando com as instituições e o Estado. Ela questiona se a institucionalização do movimento pode levar à perda de sua potência transformadora. Quando terminei, fiquei pensando em como esse livro é crucial para entender o feminismo atual, especialmente na América Latina. Ela não só descreve o movimento, mas propõe caminhos para fortalecer sua potência revolucionária. Adorei o livro. Vou recomendar sempre que puder. É daqueles livros que te fazem pensar por dias depois de ler. Acho que é essencial pra quem quer entender o feminismo contemporâneo e suas intersecções com economia, trabalho e política.

    6 curtidas

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    Avaliações

    4.6 / 49
    • 5 estrelas61%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas4%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Verónica Gago

    Verónica Gago nasceu em 1976, em Chivilcoy, na Argentina. É doutora em ciências sociais, professora da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Universidade de San Martín (Unsam) e pesquisadora do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). É autora de Controversia: una lengua del exilio (Biblioteca Nacional, 2012) e de inúmeros artigos acadêmicos sobre economia popular, economia feminista e teoria política, publicados em diversos idiomas. Tem colaborado com as experiências de pesquisa militante do Coletivo Situaciones, além de fazer parte do Coletivo Ni Una Menos, que luta contra o feminicídio na América Latina.

    4 Livros
    3 Seguidores
    Buenos Aires, Argentina

    Verónica Gago