"Em determinadas circunstâncias, fracassar, perder, esquecer, desconstruir, desfazer, inadequar-se, não saber, podem, na verdade, oferecer formas mais criativas, mais cooperativas, mais surpreendentes de ser no mundo".
A arte queer do fracasso se opõe ao discurso neoliberal do sucesso amparado nos valores heteronormativos de família, política, memória e amor.
“O pensamento positivo é um ilusão em massa que emerge de uma combinação do excepcionalismo e um desejo de acreditar que sucesso acontece a pessoas boas e o fracasso é apenas uma consequência de um comportamento ruim e não de condições estruturais. Acreditar que o sucesso depende do comportamento da pessoa é bem mais preferível do que reconhecer que o sucesso é o resultado de suas balanças descalibradas de raça, classe e gênero”
Para desdobrar os temas, Jack Halberstam embarca em “lugares populares, no pequeno, no inconsequente, no não monumental, no micro, no irrelevante". E por intermédio deste prisma, ele faz análises super criativas e acessíveis entre textos populares e acadêmicos (mesmo sabendo dos conflitos).
Então o autor vai propor discussões sobre: diversidade de gênero, feminismo, sistemas binários, nazismo, sexismo, autoritarismo, utopias, dilemas do universo queer, escravismo, colonialismo, patriarcado, Estado e tantos outros temas.
Para isso Halberstam analisa textos como : A Fuga das Galinhas, Monstro S.A, Vida de Insetos, Senhor Raposo, Cara, cadê meu carro?, Pequena Miss Sunshine, Madagascar e outros.
O referencial teórico conta com Stuart Hall, Jamaica Kincaid, Paulo Freire, Antonio Gramsci, Judith Butler, Foucault, Freud.... Enfim o painel semântico do livro é imenso. E é por meio deste, que o autor potencializa pensamentos em prol da diversidade queer e contrários ao sistema de acumulação de capital e da uniformidade da vida nos ditames do conservadorismo.
Tá sendo um exercício crítico muito interessante. Sinto que estou caminhando (agora com consciência) entre "teoria baixa e teoria alta". Este é o maior aprendizado da leitura.
É isso, quem gosta de estudar arte, comunicação e sociedade, recomendo a leitura. Contudo, não garanto sucesso nenhum 😉