A Arte Queer do fracasso (Selo Suplemento Pernambuco) -

    Jack Halberstam

    Cepe
    2020
    258 páginas
    8h 36m
    ISBN-13: 9786599016806
    Português Brasileiro

    Quais as alternativas e rotas de fuga para uma sociedade fascinada por uma ideia heteronormativa e capitalista de sucesso? Bob Esponja, Freud, Toy Story, Sebald e outras referências levam a pensar que praticar o fracasso pode nos incitar à distração, ao desvio, a nos perdermos e ao reconhecimento de que a empatia com o vencedor sempre beneficia o dominador. Enfim, chega ao Brasil esse clássico dos estudos de gênero.

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    Wallace de Jesus16/08/2021Resenhou um livro
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    Pratique mais fracasso

    "Em determinadas circunstâncias, fracassar, perder, esquecer, desconstruir, desfazer, inadequar-se, não saber, podem, na verdade, oferecer formas mais criativas, mais cooperativas, mais surpreendentes de ser no mundo". A arte queer do fracasso se opõe ao discurso neoliberal do sucesso amparado nos valores heteronormativos de família, política, memória e amor. “O pensamento positivo é um ilusão em massa que emerge de uma combinação do excepcionalismo e um desejo de acreditar que sucesso acontece a pessoas boas e o fracasso é apenas uma consequência de um comportamento ruim e não de condições estruturais. Acreditar que o sucesso depende do comportamento da pessoa é bem mais preferível do que reconhecer que o sucesso é o resultado de suas balanças descalibradas de raça, classe e gênero” Para desdobrar os temas, Jack Halberstam embarca em “lugares populares, no pequeno, no inconsequente, no não monumental, no micro, no irrelevante". E por intermédio deste prisma, ele faz análises super criativas e acessíveis entre textos populares e acadêmicos (mesmo sabendo dos conflitos). Então o autor vai propor discussões sobre: diversidade de gênero, feminismo, sistemas binários, nazismo, sexismo, autoritarismo, utopias, dilemas do universo queer, escravismo, colonialismo, patriarcado, Estado e tantos outros temas. Para isso Halberstam analisa textos como : A Fuga das Galinhas, Monstro S.A, Vida de Insetos, Senhor Raposo, Cara, cadê meu carro?, Pequena Miss Sunshine, Madagascar e outros. O referencial teórico conta com Stuart Hall, Jamaica Kincaid, Paulo Freire, Antonio Gramsci, Judith Butler, Foucault, Freud.... Enfim o painel semântico do livro é imenso. E é por meio deste, que o autor potencializa pensamentos em prol da diversidade queer e contrários ao sistema de acumulação de capital e da uniformidade da vida nos ditames do conservadorismo. Tá sendo um exercício crítico muito interessante. Sinto que estou caminhando (agora com consciência) entre "teoria baixa e teoria alta". Este é o maior aprendizado da leitura. É isso, quem gosta de estudar arte, comunicação e sociedade, recomendo a leitura. Contudo, não garanto sucesso nenhum 😉

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