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    Pensamentos sem pensador - Psicoterapia pela perspectiva budista

    Mark Epstein

    Gryphus Editora
    2018
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788583111108
    Português Brasileiro
    4.4
    5 avaliações
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    Favoritos0Desejados14Avaliaram5

    Este livro é uma grande contribuição à discussão de como a espiritualidade oriental pode iluminar a psicologia ocidental. Aqui está o primeiro livro sobre o assunto, escrito por um psiquiatra de formação clássica que mergulhou na tradição budista.Mark Epstein argumenta que as tradições contemplativas do oriente ajudam o paciente a ir além do mero reconhecimento de seus problemas até a usa cura. O autor explica as contribuições únicas dos ensinamentos budistas – os da reflexão – numa linguagem psicológica contemporânea e aponta o caminho para uma psicoterapia inspirada na meditação.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Júlia Kabbas picture
    Júlia Kabbas23/01/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vale a pena continuar a nadar - e esse livro é uma prova disso

    Nesse livro, Mark Epstein faz um trabalho admirável de conectar o budismo à psicologia, mais especificamente à psicanálise. E, ainda mais especificamente, principalmente à psicanálise Winnicottiana. É muito bom ver alguém defendendo de forma tão segura os benefícios de combinar na vida dos psicoterapeutas e dos pacientes duas práticas muito interessantes: a psicoterapia e a meditação. Esse esforço é, por si só, um grande mérito. Traduzir e teorizar experiências com o budismo e com a psicoterapia não são tarefas fáceis. Juntar peças destes dois caminhos é ainda mais difícil. As coisas chegam justamente assim para nós, que estamos em contato com estes dois grandes sistemas de conhecimentos: como peças, fragmentos; ou, como diz uma professora minha, a psicanálise é um bonde que sempre se pega andando. E é muito bom quando um de nós tem a capacidade de conjugar isso tudo em um quadro coerente. Também é muito bom ler os frutos colhidos pela experiência de alguém com caminhada tão longa em dois sistemas que só podem ser, no fundo, vivenciados. … Embora o livro seja dividido em três partes, que se propõem a falar sobre “A psicologia budista da mente”, “Meditação” e “Terapia”, em todas essas partes são referidos aspectos da psicologia ocidental em sua teoria e prática e do budismo. Entra nesse escopo experiências pessoais e familiares do autor, relatos seus enquanto terapeuta, e contribuições de diversos teóricos destes dois grandes campos. Esses fragmentos de psicoterapias, de teorias e experiências formam um excelente conjunto para explicar, por uma via ou por outra, as relações que o autor vê entre esses dois universos. Achei muito interessante a diferenciação que o autor faz entre a psique ocidental, muitas vezes forjada com faltas nos primeiros vínculos, e que gerou a parte da psicologia estudada por ele, e a psique oriental, em que é mais comum haver o desejo de se libertar de uma sociedade ou famílias mais rígidas e sufocantes. Aqui utilizo minhas palavras, não as do autor. A partir desta perspectiva, a psicanálise poderia auxiliar um mestre zen em quem um aluno deposita altíssimas expectativas, como quem busca a reparação de algo acontecido ou não acontecido há muito tempo. E o budismo poderia auxiliar psicoterapeuta e paciente que estão presos em mil esforços explicativos, mas não percebem o que há de precioso ali, naquele momento. E esse é só um, dos muitos exemplos e pensamentos desenvolvidos pelo autor, sobre como uma área pode ajudar a outra. … Neste livro, o autor se esforça por destruir algumas ideias que considera equivocadas sobre o budismo, como a de que o objetivo da prática budista é acabar com o ego freudiano. Defende que, inclusive, muitas das habilidades de um ego bem desenvolvido são necessárias para percorrer o caminho budista, como a capacidade de perseverar nele, de manter a atenção simples, etc. Epstein fala bastante deste último conceito. Para ele, a atenção simples é a principal prática da medicação budista, que consiste em acompanhar momento a momento o fluxo da consciência/experiência. Ainda sobre o caminho, o psiquiatra fala também de diversos momentos em que um praticante de meditação pode se encontrar, cada um deles com suas armadilhas características. No fim das contas, um ensinamento do Zen que é muito repetido no grupo de prática do qual faço parte, de que independente do que acontecer na experiência do zazen, deve-se continuar praticando, parece fazer muito sentido (também traduzido no velho lema da Doly: "continue a nadar"). Este foi um livro que eu precisei ler aos poucos, por suas características e questões da minha vida. Como talvez todos os bons livros, este dá vontade de ler mais, dentro dos diferentes ramos da psicanálise, tendo o efeito, justamente, de também me incentivar a continuar nadando por esta(s) teoria(s). OBS: Me chama a atenção que em mais de um momento do livro, o autor fala sobre “técnicas” que Buda nos ensinou para seguir o caminho do budismo. Na minha prática no Zen, não usaria exatamente esse termo. Assim, fiquei em dúvida se o autor pratica o Zen ou outra vertente do budismo. Caso alguém saiba, comente nesta resenha por favor.

    1 curtida

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