O Sombra começou como um personagem de rádio e rapidamente se tornou um dos ícones dos quadrinhos pulps.
Kent Allard, um criminoso envolvido com a Guerra do Ópio, muda ao se deparar com monges místicos que lhe ensinam a ler o Mal no coração dos homens. Ele então assume a identidade do playboy Lamont Cranston, que a noite se torna o vigilante Sombra.
Achou parecido com o Batman? Não é o único, e os autores desse box que contém as primeiras edições da nova linha usam e abusam das referências.
Garth Ennis é um escritor conhecido por tratar de questões filosóficas, religiosas até, e sobre a sordidez humana. Ele parece se sentir perfeitamente a vontade com o personagem e o primeiro volume, O Fogo da Criação, conta um arco relacionado a ocupação nipônica da China pré-Guerra. A história é bem escrita, mas o escritor tem dificuldade com o pulp, assim a ação demora um pouco pra acontecer.
O segundo volume tem um arco relacionado ao poder místico do Sombra e como ele influencia suas ações. É interessante ver a forma como o herói se torna confuso e conflitante com isso, mas a história não consegue fazer jus à emoção da premissa.
A arte de Aaron Campbel se adequa bem aos quadrinhos, é bonita, porém não necessariamente impactante. Lembra um pouco o desenho estilizado do início dos anos 2000. Algo a mais são as lindas capas de Alex Ross que a edição brasileira reproduz.
A Mythos também fez um ótimo trabalho com esse box. O material é resistente, bonito e traz um monte de extras como partes do roteiro, capas alternativas, e até uma coleção de cards com os personagens do selo Dynamite.