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    A Instituição Negada -

    Franco Basaglia

    Graal
    1985
    326 páginas
    10h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    19 avaliações
    Leram58Lendo45Querem371Relendo3Abandonos3Resenhas2
    Favoritos3Desejados371Avaliaram19

    O livro apresenta uma experiência pioneira na reformulação da lógica manicomial. A experiância ocorrida em Gorizia, propõe uma lógica anti-manicomial, que aborda diferentemente a loucura. Problematiza processos e práticas excludentes institucionalizadas.

    Resenhas (2)Ver mais
    Inês Maria Lorenzon picture
    Inês Maria Lorenzon20/10/2015Resenhou um livro
    0

    A instituição negada

    Abandonei a leitura temporariamente por ser um livro muito técnico e muitas vezes cansativo, mas é uma leitura quase obrigatória, além de ser um livro raro nos dias de hoje, para quem se interessa por psiquiatria e a reforma psiquiátrica. Escrito e organizado por Franco Basaglia, o médico psiquiatra que idealizou a reforma psiquiátrica, conta como o sistema de internação em hospitais fechados como os de Gorizia e Trieste na Itália se transformaram com o novo sistema de desinstitucionalização e todas as resistências por parte da equipe, como eram as reuniões, como os pacientes eram avaliados como capazes para irem para o novo sistema aberto, etc. Já conhecia o livro do tempo em de faculdade e depois que conhecer o hospital de Trieste, me interessei ainda mais, pois agora o local é um parque lindo, aberto a população, onde existe um serviço de saúde mental mas também outras coisas foram inseridas no parque como uma pare da Universidade de Trieste. O parque é muito grande, lindo e o que mais me impressionou foi a paz que senti, a sensação boa, muito verde, muitas árvores e ele ficou mais conhecido ainda pois se transformou num imenso roseiral que na primavera mostra mais uma beleza. Abandonado não...parado temporariamente.

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    4.1 / 19
    • 5 estrelas37%
    • 4 estrelas37%
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    Franco Basaglia profile picture

    Franco Basaglia

    Franco Basaglia era médico e psiquiatra, e foi o precursor do movimento de reforma psiquiátrica italiano conhecido como Psiquiatria Democrática. Nasceu no ano de 1924 em Veneza, Itália, e faleceu em 1980. Após a 2ª Guerra Mundial, depois de 12 anos de carreira acadêmica na Faculdade de Medicina de Padova, ingressou no Hospital Psiquiátrico de Gorizia. No ano de 1961, quando assumiu a direção do hospital, iniciou mudanças com o objetivo de transformá-lo em uma comunidade terapêutica. Sua primeira atitude foi melhorar as condições de hospedaria e o cuidado técnico aos internos em Gorizia. Porém, à medida que se defrontava com a miséria humana criada pelas condições do hospital, percebia que uma simples humanização deste não seria suficiente. Ele notou que eram necessárias transformações profundas tanto no modelo de assistência psiquiátrica quanto nas relações entre a sociedade e a loucura. Basaglia criticava a postura tradicional da cultura médica, que transformava o indivíduo e seu corpo em meros objetos de intervenção clínica. No campo das relações entre a sociedade e a loucura, ele assumia uma posição crítica para com a psiquiatria clássica e hospitalar, por esta se centrar no princípio do isolamento do louco (a internação como modelo de tratamento), sendo portanto excludente e repressora. Após a leitura da obra do filósofo francês Michel Foucault "História da Loucura na Idade Clássica", Basaglia formulou a "negação da psiquiatria" como discurso e prática hegemônicos sobre a loucura. Ele não pretendia acabar com a psiquiatria, mas considerava que apenas a psiquiatria não era capaz de dar conta do fenômeno complexo que é a loucura. O sujeito acometido da loucura, para ele, possui outras necessidades que a prática psiquiátrica não daria conta. Basaglia denunciou também o que seria o "duplo da doença mental", ou seja, tudo o que se sobrepunha à doença propriamente dita, como resultado do processo de institucionalização a que eram submetidos os loucos no hospital, ou manicômio. A partir de 1970, quando foi nomeado diretor do Hospital Provincial na cidade de Trieste, iniciou o processo de fechamento daquele hospital psiquiátrico. Em Trieste ele promoveu a substituição do tratamento hospitalar e manicomial por uma rede territorial de atendimento, da qual faziam parte serviços de atenção comunitários, emergências psiquiátricas em hospital geral, cooperativas de trabalho protegido, centros de convivência e moradias assistidas (chamadas por ele de "grupos-apartamento") para os loucos. No ano de 1973, a Organização Mundial de Saúde (OMS) credenciou o Serviço Psiquiátrico de Trieste como principal referência mundial para uma reformulação da assistência em saúde mental. A partir de 1976, o hospital psiquiátrico de Trieste foi fechado oficialmente, e a assistência em saúde mental passou a ser exercida em sua totalidade na rede territorial montada por Basaglia. Como conseqüência das ações e dos debates iniciados por Franco Basaglia, no ano de 1978 foi aprovada na Itália a chamada "Lei 180", ou "Lei da Reforma Psiquiátrica Italiana", também conhecida popularmente como "Lei Basaglia". Franco Basaglia esteve algumas vezes no Brasil realizando seminários e conferências. Suas idéias se constituíram em algumas das principais influências para o movimento pela Reforma Psiquiátrica no país.

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    Franco Basaglia