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    Foucault -

    Gilles Deleuze

    Brasiliense
    2005
    142 páginas
    4h 44m
    ISBN-10: 8511120505
    Português Brasileiro
    4.2
    63 avaliações
    Leram154Lendo11Querem134Relendo0Abandonos2Resenhas3
    Favoritos7Desejados134Avaliaram63

    Michel Foucault faleceu em junho de 1984. Estava em plena produção intelectual e sua morte foi muito sentida - inclusive no Brasil, onde das vezes que aqui esteve, deixou amigos, admiradores e idéias... Neste livro, dois dos maiores expoentes do pensamento francês se cruzam. De um lado está Foucault. E do outro, o brilhante Gilles Deleuze que - a partir de seis ensaios - analisa diversas questões colocadas pelo primeiro. Por exemplo, a forma como Foucault define o "ver" e o "falar", de maneira a constituir uma nova compreensão do "saber", ou como determina as relações de forças, de modo a constituir uma nova concepção de "pode". Foucault, de Gilles Deleuze, é uma análise do pensamento filosófico de um dos maiores mestres de nosso século, e escrita por outro mestre.

    Resenhas (3)Ver mais
    Júlio Augusto picture
    Júlio Augusto11/01/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma biografia bastante apaixonada

    Acabei de finalizar a leitura de "Foucault" por Gilles Deleuze, e devo dizer que é uma experiência fascinante ver o trabalho de Foucault através dos olhos de um admirador tão dedicado. Como parte do meu projeto pessoal para 2024, de revisitar obras importantes e este livro se tornou uma adição à minha releitura das obras de Foucault. Após reler trabalhos de Foucault, incluindo o que considero sua "santa trindade" - História da Loucura (1961), A Ordem do Discurso (1970) e A Microfísica do Poder (1979) - decidi explorar a perspectiva de Deleuze sobre Foucault. Deleuze, que substituiu Foucault na Universidade de Vincennes-Paris em 1969, demonstra uma compreensão profunda e uma admiração quase reverencial pelo trabalho de seu amigo. O livro é essencialmente uma biografia intelectual, onde Deleuze habilmente tece uma narrativa que conecta todas as produções de Foucault, criando uma coerência que às vezes parece quase idealizada. Um exemplo notável dessa abordagem é quando Deleuze discute a metodologia de Foucault. Ele argumenta que Foucault não faz história no sentido tradicional, mas sim uma "pesquisa histórica" focada nas condições que possibilitam a existência de fenômenos mentais, comportamentais e institucionais. Esta interpretação elegante busca suavizar algumas das inconsistências ou mudanças na abordagem de Foucault ao longo de sua carreira. Outra particularidade interessante é como Deleuze aborda as mudanças na obra de Foucault, especialmente em relação à "História da Sexualidade". Ele descreve o "descolamento" representado por "O Uso dos Prazeres" com uma delicadeza notável, apresentando-o como uma evolução natural do pensamento de Foucault, em vez de uma ruptura. Como leitor crítico, não posso deixar de notar que, embora brilhante, a análise de Deleuze às vezes beira a hagiografia. Sua relutância em contradizer ou criticar Foucault de forma mais direta pode ser vista tanto como uma força quanto como uma limitação do livro. Refletindo sobre minha própria jornada de releitura, concordo com Deleuze sobre a grandeza de obras como "História da Loucura" e "Microfísica do Poder". No entanto, também reconheço as falhas e inconsistências no trabalho de Foucault, particularmente evidentes na série "História da Sexualidade". Este livro de Deleuze é, sem dúvida, uma leitura bacana para qualquer pessoa interessada no pensamento de Foucault. Ele oferece uma visão apaixonada do trabalho de um dos filósofos mais influentes do século XX. No entanto, é importante lê-lo com um olhar crítico, reconhecendo-o como uma narrativa de um admirador dedicado, um fã leal e, principalmente, um amigo confidente. Foucault descansará em paz com sua memória sendo preservada com palavras tão bonitas escritas por ele. Bom, concluo que: "Foucault" de Deleuze é um livro que celebra a produção intelectual de Foucault, ao mesmo tempo em que demonstra a habilidade de Deleuze em criar uma narrativa coesa e envolvente. Neste ponto, ele consegue muito bem, portanto, fecha como um testemunho não apenas do legado de Foucault, mas também da amizade e respeito intelectual entre dois grandes pensadores do século XX.

    1 curtida

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    Avaliações

    4.2 / 63
    • 5 estrelas48%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas3%
    Gilles Deleuze profile picture

    Gilles Deleuze

    O trabalho de Deleuze se divide em dois grupos: por um lado, monografias interpretando filósofos modernos (Spinoza, Leibniz, Hume, Kant, Nietzsche, Bergson, Foucault) e por outro, interpretando obras de artistas (Proust, Kafka, Francis Bacon, este último o pintor moderno, não o filósofo renascentista); por outro lado, temas filosóficos ecléticos centrado na produção de conceitos como diferença, sentido, evento, rizoma, etc. O filósofo do Corpo-sem-Órgãos (figura estética de Antonin Artaud, retomada como conceito filosófico por Deleuze em parceria com Félix Guattari). Para ele, O ofício do filósofo é inventar conceitos. Assim como Nietzsche cria a personagem-conceito de Zaratustra, Deleuze afirma em L'abécédaire, entrevista dada a Claire Parnet, ter criado com Félix Guattari o conceito de ritornelo - refrão, forma de reterritorialização (povoamento), e desterritorializaçao. Uma filosofia da imanência, dos diagramas, dos acontecimentos. As principais influências filosóficas terão sido Nietzsche, Henri Bergson e Spinoza. Uma das grandes contribuições de Deleuze foi ter se utilizado do cinema para expor sua forma de pensamento, através dos conceitos de cinema-movimento e cinema-tempo. Deleuze foi um dos filósofos que teorizou as instâncias do atual e do virtual (já elaboradas por outros pensadores), construindo um olhar sobre o mundo a partir das possibilidades: "Um pouco de possível, senão sufoco"

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    Gilles Deleuze