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    As últimas testemunhas

    Svetlana Aleksiévitch

    Editora Companhia das Letras
    2018
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788554512507
    Português Brasileiro
    3.8
    3 avaliações
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    Neste livro doloroso e potente, a Nobel de literatura Svetlana Aleksiévitch reuniu os relatos francos de vários sobreviventes da Segunda Guerra que, quando crianças, testemunharam horrores que nenhum ser humano jamais deveria experimentar. A Segunda Guerra Mundial matou quase 13 milhões de crianças e, em 1945, apenas na Bielorrússia, havia cerca de 27 mil delas em orfanatos, resultado da devastação tremenda causada pelo conflito no país. Entre 1978 e 2004, a jornalista Svetlana Aleksiévitch entrevistou uma centena desses sobreviventes e, a partir de seus testemunhos, criou uma narrativa estupenda e brutal de uma das maiores tragédias da história. A leitura dessas memórias não é nada além de devastadora. Diante da experiência dessas crianças se revela uma dimensão pavorosa do que é viver num tempo de terror constante, cercado de morte, fome, desamparo, frio e todo tipo de sofrimento. E o que resta da infância em uma realidade em que nada é poupado aos pequenos? Neste retrato pessoal e inédito sobre essas jovens testemunhas, a autora realizou uma obra-prima literária a partir das próprias vozes de seus protagonistas, que emprestaram suas palavras para construir uma história oral da Segunda Guerra.

    Resenhas (1)Ver mais
    Leticia Alves  picture
    Leticia Alves 29/01/2026Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A guerra e o que resta quando ela acaba

    Comecei a ler para entender perspectivas de luto, indicação de uma professora. No princípio, conforme meu conhecimento sobre a história da 2° guerra mundial, onde os soldados da união soviética derrotaram os soldados alemães os atraindo para o rigoroso inverno russo. O que a autora aborda e eu não imaginava é que os tiveram parte da população dizimada pelos soldados alemães, que crianças tinham seu sangue retirado para o exército alemão, que houve tortura e campos de concentração antes da vitória. E tudo isso contado pelas crianças ainda existentes dentro de cada sobrevivente da 2° guerra mundial, onde a infância foi tomada pela luta de sobrevivência. Em cada relato, essas crianças puderam ser ouvidas pela autora, e respirar depois de verbalizar a história guardada no sótão das lembranças doloridas e não-contadas. Nesse sentido, o que me levou a dar as 4 estrelas foi o sentimento funesto que me fazia parar a leitura muitas vezes. As histórias dos sobreviventes têm muitas camadas de dor e traumas que tornava difícil digerir e seguir para as próximas páginas, chegar a certas páginas faziam-me escorrer goteiras ou cascatas. Agora meu olhar sobre a guerra, que não vejo sentido que tenham início, tem ainda mais profundidade, imaginarei o que será que se sucedeu a cada família de ambos os países. Quem detém o poder declara guerra, mas são os civis que passam por ela.

    1 curtida

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