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    Praça dos Heróis -

    Thomas Bernhard

    Temporal
    2020
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788553092093
    Português Brasileiro
    4.4
    17 avaliações
    Leram20Lendo2Querem22Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos2Desejados22Avaliaram17

    No apartamento do falecido prof. Schuster, a governanta sra. Zittel e a empregada Herta preparam o jantar funerário para a família, rememorando a vida do patrão e lamentando a morte trágica que acabara de acontecer. Enquanto isso, as filhas de Schuster, Anna e Olga, tentam convencer seu tio a assinar uma petição em defesa de um território onde a família possui uma propriedade e a tratar de outros pormenores cotidianos. Entre lembranças e tentativas de compreensão das condições que levaram o professor a cometer suicídio, os personagens apresentam um panorama político da Áustria no fim da década de 1980, traçando um paralelo direto com o episódio de invasão de Hitler na Praça dos Heróis, que marcara não só o âmago da família protagonista, como toda a história ocidental. Escrita em 1988 por encomenda de Claus Peymann, então diretor do Burgtheater de Viena, por ocasião do centenário de abertura do teatro e, coincidentemente, pelos cinquenta anos do Anchluss (anexação da Áustria pela Alemanha nazista), Praça dos Heróis é uma reflexão crítica sobre o nacionalismo e o antissemitismo da Áustria moderna, além de uma denúncia da negação de seu passado por parte do povo austríaco. Polêmica por sua assertividade, como diversas outras obras de Bernhard, esta peça de linguagem límpida sensibiliza os leitores não só pela delicadeza da situação que representa, como por sua atualidade. Em Prefácio à edição brasileira, Alexandre Villibor Flory, doutor em literatura alemã pela USP e especialista na obra de Bernhard, aborda o contexto e a relevância da publicação de Praça dos Heróis, até então inédita no Brasil, bem como disserta sobre a estética da peça e os ganhos desta tradução para o português, de autoria de Christine Röhrig. A edição da Temporal ainda conta com fotografias e ficha técnica da polêmica montagem de estreia de 1988 no Burgtheater e da montagem brasileira, dirigida por Luciano Alabarse em 2006.

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    Js Ferreira picture
    Js Ferreira17/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O autoritarismo que ressurge mais forte que no passado

    Peça teatral necessária para nossos tempos. Estaríamos presenciando recrudescimento do nazifascismo, ou vemos apenas o que queremos ver, amplificando um terror que não existe? De qualquer forma, esta peça é fundamental para entendermos como o ressurgimento do fascismo é mais potente e escancarado que no passado. Thomas Bernhard, um crítico contumaz do "vitimismo" austríaco perante o nazismo, bota mais uma vez o dedo na ferida, numa peça feita sob encomenda para comemoração dos 100 anos de um teatro vienense.

    6 curtidas

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    Niclaas Thomas Bernhard profile picture

    Niclaas Thomas Bernhard

    O austríaco Thomas Bernhard, autor de mais de 30 obras entre romances, contos, peças de teatro, poesia, roteiros, memórias e crítica, é considerado um dos maiores escritores contemporâneos de língua alemã. Ao explorar de maneira implacável os fantasmas e as culpas da Áustria do pós-guerra, Bernhard conquistou a fama – merecida – de um intelectual polêmico, ora admirado, ora execrado por seus compatriotas. Seu ressentimento pela Áustria é refletido em seu testamento, onde proíbe a encenação das suas peças teatrais em território austríaco. Mesmo após sua morte, suas obras foram objeto de controvérsia, especialmente o trabalho Heldenplatz (1988), no qual Bernhard denuncia o ressentimento anti-semita ainda latente no país.

    96 Livros
    70 Seguidores
    Limburgo, Países Baixos

    Niclaas Thomas Bernhard