Sabato participou de uma série de palestras na Espanha no Instituto de Cooperación Iberoamericana em junho de 84. Nessas palestras Sabato contou um pouco de sua trajetória científica, sua transição para o mundo da arte primeiro com a pintura depois a literatura. O motivo de sua retirada do mundo acadêmico científico foi a constatação que a ciência estava se tornando um braço da guerra muito mais que exércitos, a tecnolatria que ele acusa não é ludita, não é uma crítica à ciência e sim aos cientistas que ele admirou conheceu e depois lamentou terem descido tão baixo ao colaborar com a construção de armas atômicas. Sabato era inicialmente anarquista depois por insistência de amigos converteu-se ao comunismo, vendo as atrocidades de Stalin rompe com a política e acusa o totalitarismo. Mas, ao contrário de muitos que partiram daí para o liberalismo e o conservadorismo, quando não o reacionarismo, Sabato ficou ao lado da literatura, da espiritualidade, embora agnóstica. O escritor argentino via o mundo capitalista e se espantava com o monstro engendrado pelo progresso científico e tecnológico, prevendo inclusive e alertando o perigo da manipulação genética. Os que o acusam de participar da ditadura sangrenta argentina nos anos de chumbo, Sabato rebate com provas de que esteve junto ao trio que comandava o país nos ano 70 para resgatar amigos, e ele notava fissuras e choques dentro do poder, posteriormente no governo Alfonsín liderou o movimento de recuperação se possível com vida dos filhos das Mães da Plaza Mayo, mulheres que se reunem naquele local manifestando repúdio à política que apreendeu e matou centenas e centenas de crianças. Sabato é uma figura admirável, ler seus livros e palestras transcritas um prazer acrescentado de iluminação necessária nessa era de trevas reacionárias e muita estupidez.