De início, me perguntei como os temas lógica e matemática seriam abordados em uma Comic, mas logo na primeira página obtive a resposta.
O quadrinho, mais que a história do desenvolvimento intelectual de Bertrand Russell nas áreas de lógica e matemática, mostra a interação entre os criadores do quandrinho, e, por vezes, adicionam um pouco de literatura aos temas filosofia e matemática, dando mais leveza à história.
Claro, para conseguir contar a narrativa, como os autores afirmam ao final do livro, dado o formato escolhido, foi necessário licença poética para adicionar cenas que não ocorreram na vida real - sendo as cenas apontadas no final do livro.
Devo alertar que o livro é leve, para divertir pessoas com curiosidade intelectual, mas não é uma obra acadêmica. Muito longe disso. O objetivo é mais entreter o leitor.
Apesar disso, ele retrata bem os personagens que surgem na história, como Frege, e expões superficialmente conclusões de alguns pensadores. Especialmente, as importantes para área da lógica.
Há uma tentativa de narrar cronologicamente a história de Russell (ao menos as partes importante em sua jornada intelectual na área da lógica) e de justificar seus comportamentos e interesses.
Apesar de ser uma leitura refrescante, nada profunda, ficamos pensativo e nos questionando, mais fortemente ainda, os limites do conhecimento humano e o quão incerto tudo que acreditamos pode ser. Mais ainda, nos questionamos nossas motivações, e o quão difícil ou irracionais são nossas motivações, mesmo quando acreditamos no oposto.
Ver grandes pensadores tendo dificuldade ou falhando em adquirir - ou criar - conhecimento por um lado nos torna mais céticos, e por outro nos coloca em pé de igualdade. Não os vemos apenas como pessoas que sem esforço conseguiam descobrir coisas incríveis sobre o mundo, mas pessoas como nós, que precisam se esforçar e mesmo assim muitas vezes erram. Se eles são gênios, não são iluminados, e enfrentam dificuldades que todos enfrentamos.
Ao final da leitura, me peguei pensando se há base para tudo que somos, fazemos e acreditamos. Se a lógica é apenas uma ferramenta que pode nos guiar por um caminho, como decidimos onde queremos chegar? Mais ainda: a lógica é realmente uma boa bússola? a escolha da lógica como uma bússola é uma escolha lógica, ou emocional?
Não sei a resposta, e talvez nunca saiba, mas agora, ao ter menos certezas, tendo me idiotizado mais um pouco, sei que estou mais afastado de falsas crenças (ou, ao menos, de cranças injustificadas), e assim posso evoulir intelectualmente.
Concluindo, se você quer uma leitura leve, simples, superficial, nada exigente, mas que vai te fazer refletir, no final, não apenas sobre questões intelectuais, mas sobre sua própria vida e escolhas, vale a pena esse livro. Não garanto que vai mudar sua perspectiva sobre nada, afinal cada pessoa reage aos inputs que recebe de forma diferente, mas garanto que, caso você aprecie um pouco de lógica, filosofia, matemática ou conhecimento abstrato no geral, vai ser uma jornada bastante divertida. Leia!