Um trabalho bem feito
Há pouco tempo comecei a ler poesia a sério, em parte por não querer sair da minha zona de conforto, em outra por não considerar que a poesia foi feita para pessoas como eu. Todavia, eu não tive mais escolha esse ano: surgiu a necessidade de ler poesia para o temido vestibular. Após a leitura de "Mensagem" e "Alguma Poesia", experiências surpreendentemente positivas para mim, eu estava bem animada para finalmente ler algo da Cecilia, sem julgamentos, sem medo. Me senti preparada para encarar essa tarefa que exige mais de mim do que os outros livros que leio geralmente exigem. E então veio o Romanceiro. Que doideira. Poemas tão bem feitos que parece que foram escritos sozinhos. E olha que eu não entendo quase nada do universo poético. O que Cecilia fez, ao meu ver, foi narrar uma história vivida por pessoas reais há séculos, porém utilizando-se de uma linguagem incomum para alguém na posição de historiador. Sob esse viés, o elemento artístico foi enriquecedor pois aproximou o leitor-estudante da realidade dos inconfidentes com êxito (e diga-se de passagem, estilo). Esse livo me fez entender a importância do que aconteceu em Vila Rica, não só para aquela época específica, ou para o Brasil, mas também para a Humanidade. Ademais, um ponto que me chamou a atenção durante a leitura foi a simultaneidade dos acontecimentos. Enquanto os homens discutiam suas ideias iluminadas, os escravos trabalhavam nas minas, os padres rezavam, as senhoras andavam com toda a pompa que o ouro pode acrescentar nas vestes, Tiradentes era caluniado, os traidores eram pagos... E tudo girava em torno do ouro. O ouro estava em todos os lugares e todos serviam o metal precioso. Se há um vilão em Minas, ele reside na ganância que o ouro traz. Por fim, menções honrosas ao Cenário do início e ao romance XLVIII ou Do jogo de cartas. Definitivamente, esses foram meus textos favoritos.
