Far-Right Revisionism and the End of History (Routledge Approaches to History #37) - Alt/Histories

    Louie Dean Valencia-García

    Routledge
    2020
    438 páginas
    14h 36m
    ISBN-13: 9780367460082

    In Far-Right Revisionism and the End of History: Alt/Histories, historians, sociologists, neuroscientists, lawyers, cultural critics, and literary and media scholars come together to offer an interconnected and comparative collection for understanding how contemporary far-right, neo-fascist, Alt-Right, Identitarian, and New Right movements have proposed revisions and counter-narratives to accepted understandings of history, fact and narrative. The innovative essays found here bring forward urgent questions to diverse public, academic, and politically-minded audiences interested in how historical understandings of race, gender, class, nationalism, religion, law, technology and the sciences have been distorted by these far-right movements. If scholars of the last twenty years, like Francis Fukuyama, believed that neoliberalism marked an "end of history," this volume shows how the far right is effectively threatening democracy and its institutions through the dissemination of alt-facts and histories.

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    Eduardo02/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Análise sobre a história alternativa

    Num esforço multidisciplinar mas com uma ênfase especial na história, o livro reúne diversos artigos de vários autores que discutem um ponto em comum - A manipulação da história feita por movimentos de extrema direita com o objetivo de legitimar seus discursos. Essas narrativas paralelas, denominada na obra como história alternativa (ou alt-history, no inglês) tem por base desprezar o método cientifíco e o método historiográfico. Tomo como exemplos as escolhas seletivas de fontes com fins ideológicos, o resgate de uma visão tradicionalista da história, a manipulação e (muitas vezes) desconhecimento dos fatos que discutem, ou então contarem mentiras descaradas. Essencialmente isto vem sendo praticado, em diversos países, com a publicação de livros de cunho supostamente "revisionista" mas com fins ideológicos e políticos claros. Deixo claro que a História, como ciência, ela vive de revisionismos. Mas o usual é quando surgem novas informações, fontes, etc, que geram novas interpretações sobre fatos conhecidos, pois o historiador profissional tem consciência de que não é possível reproduzir fatos como um todo, mas sim recortes. Sob esse prisma, há sim discordâncias entre historiadores, é claro, mas é para isso que temos a historiografia ou a história da história, para analisar de forma clara, técnica e legítimamente as diversas interpretações de um determinado fato (um autor pode ter achado uma fonte que outro não teve acesso, por ex.) e não cairmos na velha ótica, baseada no senso comum, de alguém ser detentor da "verdade" sobre fatos e outros estarem errados ou em conluio com uma suposta doutrinação ideológica. O que é exatamente o que estes grupos de extrema direita praticam. Agora, o que esses indivíduos, editores e grupos de extrema direita tentam fazer é uma substituição completa. Abolir um discurso completamente em favor de outro. O outro sempre visto com desprezo, como um inimigo a ser excluído da história, baseado numa falsa moral. Por isso que não se importam com métodos científicos, pois para eles vale ser anacrônico, manipular dados, abusar do senso comum entre outros erros de análise crítica sob um discurso supostamente "nêutro" ou de "contraponto". No caso brasileiro, o livro menciona indivíduos como Olavo de Carvalho (este sob o guarda chuva de uma escrita poética mas pouco pragmatica, raramente cita fontes de onde tira suas informações em seus livros e mascara as manipulações claras em seus discursos) tem sido influenciado por movimentos conservadores, principalmente após a reação conservadora de meados dos anos 1970 até hoje, culminando no Brasil Paralelo, Terça Livre, youtubers como Bernardo Kuster, Nando Moura, etc. Há análises de outras obras e discursos de tom semelhante, além dos efeitos que tomaram e podem tomar daqui para frente na sociedade. E como o desafio do historiador profissional hoje em dia é muito maior. É uma leitura recomendada para quem já está pesquisando o espectro ideológico da extrema direita e sua ascenção na contemporaineidade.

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