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    O infarto da alma -

    Paz Errázuriz, Diamela Eltit

    Instituto Moreira Salles
    2020
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788583460572
    Português Brasileiro
    4.4
    10 avaliações
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    Livro incontornável na carreira de Paz Errázuriz – feito em 1994 em parceria com a escritora Diamela Eltit e considerado um dos grandes fotolivros latino-americanos do século XX –, O infarto da alma é publicado pela primeira vez no Brasil pelo Instituto Moreira Salles, por ocasião da retrospectiva da fotógrafa no IMS Paulista. Os retratos que Errázuriz realizou de casais apaixonados que se formaram dentro do hospital psiquiátrico Philippe Pinel, na cidadezinha de Putaendo, no Chile, são fruto, como em quase todas as suas séries fotográficas, de uma relação de anos de com esses indivíduos, calcada no respeito mútuo. São fotos de uma riqueza emocional sem par, distantes das tradicionais representações visuais da loucura; imagens que ajudam a dar corpo e voz a pessoas que beiram o esquecimento e que, ao se entregarem ao amor, resistem a toda despersonificação que já lhes foi imposta pela sociedade e pelo Estado. O texto de Eltit multiplica essas vozes, extraindo delas outros sentidos ao misturar e subverter gêneros (relato de viagem, ficção em forma de carta, poesia, ensaio e depoimentos colhidos in loco) para falar, em última instância, do amor – que tem, em comum com a loucura, uma tendência a se fundir, a se confundir com o outro. Poderoso levante contra o discurso dominante da razão, esta é uma narrativa única e profundamente humana, em que as artistas chilenas conseguem unir todos nós, os de dentro e os de fora dos muros do sanatório, numa mesma vertigem amorosa.

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    Carlos Liorci picture
    Carlos Liorci03/06/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    E o amor?

    Uma leitura não é feita apenas pelo ato de decifrar palavras, letras ou sinais de pontuação. Uma leitura é a forma como eu compreendo o que está fora de mim ou mesmo o que está dentro de mim. Uma leitura é a maneira que eu decodifico uma mensagem simbólica. É a interpretação de um símbolo. E tão simbólico é este “O infarto da alma”; é potente, é forte e é preciso como um procedimento cirúrgico. É necessário porque me convidou para uma viagem ao Chile mas que poderia ser para qualquer lugar, porque este “infarto” representa a dor e o apagamento de um ser humano vivo. É o infarto de toda uma existência. E a alma, aquilo que temos de mais humano, sendo atacada, cerceada e impossibilitada de surgir. De aparecer. “O infarto da alma” me apresentou uma mensagem nua sobre as infinitas possibilidades abafadas de se viver uma existência repleta de significados. “O infarto da alma” ressoou em mim aquela dor intensa que já senti inúmeras vezes. Ressoou em mim a necessidade de olhar para os sentimentos, para aquilo que novamente, nos constitui como humanos. “A arte nunca simplifica, ela condensa” disse certa vez Fayga Ostrower. E com esta junção de “fotos + grafia”, Errázuriz e Eltit condensaram críticas à todo um sistema desumanizante de saúde mental em uma palavarinha: “amor”. Porque é apenas isso que precisamos.

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