"Power is a thing earned," Samaranth said, "not something that may be passed along with the possession of objects like thrones... or rings, for that matter. Power, true power, comes from the belief in true things, and the willingness to stand behind that belief, even if the universe itself conspires to thwart your plans. Chaos may settle; flames may die; worlds may rise and fall. But true things will remain so, and will never fail to guide you to your goals. Isn't that so, Master John?"
Eu estava de olho já faz um tempo na série de James Owens, The Chronicles of the Imaginarium Geographica. A premissa é simplesmente fantástica: três estranhos - John, Jack e Charles, na Londres dos tempos da Primeira Guerra, são envolvidos numa história de assassinato e a guarda de um objeto fantástico: o Imaginarium Geographica, atlas com todas as terras que já existiram em mitos e lendas, fábulas e contos de fadas.
Em comum, os três têm o fato de serem homens de Oxford, escritores, fantasistas. Na verdade (e foi por isso que enlouqueci querendo os livros) eles são ninguém mais ninguém menos que J. R. R. Tolkien (John - preciso dizer o que ele escreveu?), C. S. Lewis (Jack, apelido pelo qual o autor das Crônicas de Nárnia preferia ser chamado - em vez de Clive) e Charles Williams (menos conhecido aqui no Brasil, autor de War in Heaven).
Com a morte do professor Sigurdsson, guardião do atlas, os três são denominados novos guardiães, e têm de viajar para o Arquipelágo dos Sonhos, onde deverão descobrir como derrotar o Rei do Inverno e seu exército de homens sem sombra, numa jornada que envolverá dragões, centauros, faunos, leões mansos, filhos de Adão e filhas de Eva, a caixa de Pandora, Deucalião, a Arca da Aliança, descendentes do rei Arthur e um anel (para todos governar), entre muitas outras figuras míticas e literárias.
Here there be dragons - o primeiro livro da série - não me empolgou tão absolutamente como O dragão de sua majestade; mas tem seus momentos.
Para ser bem sincera, meu problema com ele foi que eu estava na expectativa de bem mais do que tom juvenil da narrativa (e o que mais você estava esperando, Lulu??? James Joyce?). Não sei, achei que o livro seguiria a linha de Susanna Clarke, e, mais recentemente, Naomi Novik... Que seria algo assim... espetacular. De tirar completamente o fôlego.
Como eu disse, o livro tem seus momentos. Eu amei as piadas do Jack. O cara é meio sem noção às vezes, mas eu morro de rir do mesmo jeito. Vamos convir, eu tenho um senso de humor meio bizarro; é apenas lógico que eu aprecie isso em outros personagens.
"You do realize you're arguing about mythological creatures that can't possible exist," said Charles, waving his arms. "There are no such things as fauns and satyrs!"
As if in answer, one of the crew dropped a heavy spare mast bracing on Charles's foot, then picked it up and tipped his hat in mock apology before passing through to the cabin.
Charles howled and sat on the deck, massaging his injured foot.
"I think that nonexistent mythological creature just broke some of your toes," Jack said.
"Oh, shut up," said Charles.
Em todo caso... é divertido ver como o Owens brinca com todas as figuras que mais tarde viriam a se materializar nas obras dos três autores/personagens. Sim, o livro é muito inocente e "happy, happy ending", mas tem potencial para evoluir.
Eu não engoli muito bem algumas coisas - como o fato de John, Jack e Charles aceitarem tão completamente que de uma hora para a outra foram jogados para uma dimensão paralela onde há ilhas representando todos os mundos míticos existentes (Se bem que isso talvez se dê pelo fato de que eles são escritores de ficção fantástica, suficientemente imaginativos, criativos - requisitos necessários para um guardião do Imaginarium Geographica...); mas outras jogadas foram muito espertas (quase caí da cama a aparição do Nautilus e de Nemo).
A série tem previsão de sete livros - já foi lançado até o quarto, no qual já consegui meter as mãos. Vamos ver se o Owens consegue me empolgar mais; seja como for, eu gostei desse início: meio morno, mas ainda assim interessante.
Antes que eu me esqueça, já há previsão para a série virar filme. Vamos ver no que isso vai dar...