Estabelecer, em meio à paisagem esplêndida da Serra da Mantiqueira, um mundo cujas origens estão em grandes obras de arte europeias, é o sonho secreto dos personagens deste romance, que logo se desvanece ante as transformações que a especulação imobiliária e os projetos ufanistas da Ditadura Militar levam a esta região na década de 1970. Cada vez mais alheios ao que sucede à sua volta, esses personagens refugiam-se num universo ilusório, impregnado de fragmentos da alta cultura, e deixam de perceber os sinais dos novos tempos até que já seja tarde demais. Opulência é uma narrativa que trata da degradação da natureza e dos ideais, mas também de uma forma peculiar de cegueira.
Opulência -
Luis S. Krausz
Edições (1)
Ver maisFalso brilhante
Como não se encantar com livro que consegue ser irresistível tendo como núcleo uma descrição, e não um enredo, uma história que começa e em algum momento é concluída? Tudo que se assemelha àquilo que esperamos de um romance está presente, mas é pretexto: enredo, desenvolvimento, expectativa. Mesmo os ensaios que antecedem a trama, são apenas pilares para que a descrição que constitui a essência do romance se solidifique. A autoficção, as memórias distorcidas de Luis Krausz, o pretenso relato de um convite para um chá na casa de uma socialite, antigo jargão para o que é a ?famosa? dos dias de hoje, não têm o brilho que carregam todas as palavras lapidadas milimetricamente para que possamos conhecer Mme. Newirowska e sua cultura superior. Passamos pela construção da sua personalidade, dos gostos refinados e pela autenticidade dos quadros que possui. Krausz se vale de duas grandes habilidades para nos conduzir a uma leitura divertida e reflexiva: uma prosa absurdamente construída, uma quase poesia balançando entre a musicalidade e a ironia, assim como a habilidade de resgatar da memória símbolos de época construindo reflexões sobre a elite brasileira e sua alta cultura tropucal. Opulência traz o retrato da mediocrodade de nossa nata cultural. Entre os pontos que Krausz traz à tona sao a falta de entendimento da cultura que esta elite possui compra, com certificação de autenticidade mas sem a certeza da profundidade. Elite que possui, exibe itens cloroquinados sen estudo de seu significado. Krausz ainda aponta a eterna dependência submissa de nossa nobreza a tudo que fala numa língua estrangeira bonita, de pronúncia europeia, a cegueira que aproxima esta casta superior educada às vertentes politicas mais primitivas e sem educação. Perfeito na forma, mas sem torna-la o mote de seu romance, Krausz construiu um romance que está muito a frente daquilo que a elite cultural brasileira esta habituada a entender. Mas se tiver edição limitada, com certeza irá comprar.
Estatísticas
Avaliações
5 / 1- 5 estrelas100%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%

