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    A vida verdadeira de Domingos Xavier -

    Luandino Vieira

    Caminho
    2003
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9789722115605
    Português Brasileiro
    3.9
    59 avaliações
    Leram108Lendo8Querem64Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos1Desejados64Avaliaram59

    «De todos os cantos da prisão chegaram vultos que se sentaram, silenciosos, à volta do irmão a morrer. Um moço tirou seu velho casaco de fardo e cobriu com ele o peito pisado e rebentado do tractorista. Só a cara estava agora descoberta, banhada na luz da lua entrando na janela. O velho bêbado continuou a choramingar no seu canto. A lua espreitava nas frinchas, nas janelas altas, e veio cobrir na cara serena e tranquila de Domingos Xavier. O sangue foi correndo, noite fora, cada vez com mais devagar, respiração cada vez mais fraca, a cara esmagada virando naquela cor esbranquiçada da morte. O moço que estava espreitar atrás de várias cabeças arriscou mesmo baixinho: - Aiuê! Parece é, tá dormir ainda... Verdade mesmo, Domingos Xavier dormia para os seus irmãos, feliz em sua morte, de madrugada, com a luz da lua da sua terra a sair embora para contar depois, todas as noites, a história de Domingos Xavier.» Domingos António Xavier, o tractorista, nunca fizera mal a ninguém. Só queria o bem do seu povo e da sua terra. E por lhes querer bem não falou os assuntos do seu povo nem se vendeu. E por lhes querer bem o mataram. E por isso, no dia da sua morte, ele começou a sua vida de verdade no coração do povo angolano.

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    Gisele Santos picture
    Gisele Santos12/08/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leitura da Angola 🇦🇴

    Domingos Xavier é muito mais do que um homem; é o retrato simbólico da luta de um povo que busca manter sua dignidade e identidade em meio à opressão. O autor constrói uma narrativa potente e sensível, que ilumina a força do espírito humano diante das adversidades históricas vividas em Angola, especialmente no contexto da colonização e do combate pela liberdade. A história de Domingos representa a resistência, a solidariedade e a preservação das raízes culturais. A verdadeira vida, para ele, está na coragem de enfrentar as injustiças, na simplicidade dos valores humanos, e na esperança que alimenta o desejo de um futuro melhor. Não foi uma leitura fácil, apesar de o livro ser curto, tem partes muito pesadas, mas é justamente isso o que mexe com a gente e nos faz questionar sobre a vida, sobre poder, sobre opressão.

    28 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 59
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    José Luandino Vieira profile picture

    José Luandino Vieira

    José Luandino Vieira, nascido José Vieira Mateus da Graça é um escritor angolano. Português de nascimento, passou a juventude em Luanda, onde concluiu os estudos secundários. Por combater nas forças do MPLA durante a Guerra Colonial, contribuindo para a criação da República Popular de Angola, adquiriu a cidadania angolana. Preso pela PIDE, pela primeira vez em 1959, acusado de ligações ao movimento independentista (Processo dos 50), acabaria condenado a catorze anos de prisão, em 1961. Antes disso a Sociedade Portuguesa de Autores, então presidida por Manuel da Fonseca, pretendera atribuir-lhe o Prémio Camilo Castelo Branco, pela seu livro "Luuanda". Essa acção fez com a PIDE/DGS levasse a cabo uma acção de desmantelamento da SPA. Luandino cumpriu a pena de prisão no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, regressando a Portugal em 1972, com residência vigiada em Lisboa. Em 1975 regressou a Angola onde ficou até 1992. Foi director da Televisão Popular de Angola, de 1975 a 1978, diretor do Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA, até 1979 e diretor do Instituto Angolano de Cinema, de 1979 a 1984. Participou na fundação da União dos Escritores Angolanos, de que foi Secretário-Geral (1975-1980 e 1985-1992). Foi também Secretário-Geral Adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos (1979-1984). Com o fiasco das primeiras eleições livres (em 1992) e o reinício da guerra civil, acabou radicado no Minho. Vive em isolamento na propriedade de um amigo, e passou a dedicar-se à agricultura. Em 2006 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o maior galardão literário para a língua portuguesa. Contudo, recusou o prémio alegando motivos íntimos e pessoais, segundo um comunicado de imprensa. Entrevistas posteriores, sobretudo ao Jornal de Letras, Artes & Ideias, esclareciam que o autor não aceitara o prémio por se considerar um escritor morto e, como tal, o Prémio deveria ser entregue a alguém que continuasse a produzir. Ainda assim publicou dois livros em 2006.

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    Vila Nova de Ourém, Portugal

    José Luandino Vieira