Nesse reconto as excentricidades e peculiaridades do reino de copas, do aclamado universo de Lewis Carroll, são em parte esquecidas para dar abertura para os sonhos e sentimentos de Catherine, a futura rainha de copas, bem como sua trajetória rumo à vilania que já conhecemos.
Não sei bem o que dizer desse livro... acho que fui ler imaginando que seria um reconto tão poderoso e corajoso quanto No Coração da Bruxa, mas no fim recebi migalhas de um romance (que adorei e que gostaria que tivesse sido o verdadeiro ou talvez o único foco da história), um Coringa subdesenvolvido e uma Cath com um sonho; que desde o princípio sabemos que é irreal e bobo para a filha de uma marquesa e um marquês tão ambiciosos.
Tem um momento no livro que acho que a autora terá coragem de transformar o Coringa no vilão que eu imaginei que ele deveria ter sido, mas ela o transforma em um verdadeiro "Bobo" e joga a culpa de tudo de ruim que acontece nas costas do Chapeleiro, enquanto transforma Cath na personagem mais indecisa que já existiu.
Se sua força é o motivo de quererem tanto o coração dela, eu imagino que a autora esqueceu de desenvolver esse aspecto da personagem para entregar uma Catherine completamente perdida e à mercê das decisões dos outros.
No único momento em que deveria ser corajosa e dar as costas para o mundo do qual tanto queria fugir com seu "amor" ela atravessa uma porta tomando a decisão estúpida que selará seu destino da maneira mais idiota possível.
Me envolvi com Cath e Jest e amei os diálogos dos dois, adoraria que a autora tivesse me surpreendido com o motivo pelo qual o amor dos dois seria impossível, mas não esperava que seria por burrice da personagem principal e passividade daquele que deveria ser um verdadeiro Coringa na narrativa.
A história tinha tudo para ser primorosa, mas desandou e depois dos sessenta por cento, foi só ladeira abaixo.
"Eu imaginava a Rainha de Copas como uma espécie de personificação da paixão incontrolável – uma Fúria cega e desgovernada." – Lewis Carroll
E isso era tudo que eu também esperava do reconto de uma personagem tão icônica, mas infelizmente não recebi.
Embora admita que talvez a culpa tenha sido minha: por esperar uma trama inovadora e corajosa ao invés desse romance raso e indeciso que Marissa Meyer entregou.
Sinto que no fundo, a autora nunca esteve disposta a arriscar tudo. Ela criou um personagem (Jest) para que as leitoras se apaixonassem e teve medo de macular a perfeição dele... e isso foi uma pena.
Me despeço dessa leitura com a sensação de incompletude.
Recomendo apenas para quem não tenha quase nenhum apego ao clássico de Lewis Carroll.