Alarmes E Digressões -

    G.K. Chesterton

    Ecclesiae
    2020
    206 páginas
    6h 52m
    ISBN-10: 8584911529
    Português Brasileiro

    Alarmes e digressões (1911) é uma coletânea de artigos de G. K. Chesterton publicados no jornal britânico Daily News de 1901 a 1913, aproximadamente. Nela, o leitor encontrará novamente o bom humor e a profundidade do autor, que versa magistralmente sobre temas tão variados quanto a história da arte, Alfred, o Grande (o primeiro rei dos ingleses), e a inusitada negligência da literatura universal para com os... queijos. Nesta coletânea encontra-se um corolário daquela máxima chestertoniana que diz que uma coisa morta é que segue as correntezas, pois somente o que está vivo é capaz de ir contra a corrente: Todo o período do último século foi o que se pode chamar de “movimento de pêndulo”; isto é, a ideia de que o homem deve ir alternadamente de um extremo a outro. É uma ideia vergonhosa e até mesmo chocante; é a negação de toda a dignidade da raça humana. Quando o homem está vivo, permanece parado em pé. É só quando está morto que balança.

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    Lucio Antônio de Oliveira10/09/2021Resenhou um livro
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    Chesterton como Crítico Cultural e Jornalista

    Esta é mais uma coletânea de artigos de Chesterton. São artigos diversos, cobrindo temáticas bastante comuns à pena do autor. Nela, o veremos falar criticar o imperialismo britânico, apreciar a natureza, bem como a cidade, criticar a arte moderna, a sociedade industrial moderna (embora esta crítica, em especial, seja menos explícita), enaltecer a sabedoria popular e temas políticos e culturais afins. Há, é claro, algumas referências bastante localizadas no tempo e espaço, i. e., coisas ditas especialmente para os ingleses. Há uma menor referência à França, surpreendentemente. A resenha que pretendíamos fazer, notamos, seria bem semelhante àquela que fizemos para o 'Considerando Todas as Coisas' (CTC). Por isso, este texto apresentará, ao invés de uma resenha tradicional, os destaques em relação à obra, as coisas que a diferem daquela outra coletânea ou dos artigos de outra coletânea, a saber, os artigos do 'Tremendas Trivialidades' (TT). Com efeito, a semelhança com o 'CTC' é evidente pelo fato de que se trata de uma série de ensaios aparentemente desconexos sobre vários assuntos. O próprio autor, logo na introdução, observa que ele mesmo não sabia como dar uma estrutura geral para cada um desses 38 artigos, mas garante que há. Temos aqui os ecos do conservadorismo (ou seja, uma presença mais tímida do que em outras obras, mas ainda assim presente), sua filosofia do senso comum, seu espírito imaginativo e de encantamento para com o mundo, bem como as infelizes influencias progressistas em sua análise da atividade empresarial e seu preconceito para com os ricos. De fato, trata-se quase de uma segunda parte do CTC. Poderia facilmente ser considerado um segundo volume daquele outro livro. Entretanto, há, talvez, uma diferença. E aqui, há sua aproximação com o 'Tremendas Trivialidades'. Que Chesterton costuma deixar muitas coisas nas entrelinhas é algo que não novidade. Dissertamos a respeito na resenha do TT. Naquele livro, o autor às vezes exagerava no posicionamento das reticências, e deixou vários artigos bastante dúbios em relação à manifestação de seu propósito. Neste que estamos a considerar agora, a se agrava um pouco mais. Boa parte dos artigos apresentam parcas pistas do propósito, da lição ou da tese que o autor queria trazer. Além disso, há alguns contos neste livro, tal como no TT, usados como meios para apresentar suas ideias. O livro traz, infelizmente, alguns raciocínios pouco desenvolvidos. Há, às vezes, apenas esboços de argumentações. Entretanto, há alguns artigos muito interessantes e úteis principalmente para os pesquisadores da filosofia do autor. Apesar de sua clara associação ao espírito conservador inglês, haverá repugnantes (ao menos ao leitor conservador e instruído politicamente) momentos progressistas. Tudo isso faz com que, no geral, não seja o mais recomendado e empolgante dos livros do autor. E mesmo dentre suas coleções de artigos, talvez seja o menos inspirador. Ainda assim, o apreciador dos temas políticos, sociais, culturais e principalmente de Chesterton não perderão nada ao ler a obra - pelo contrário!

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