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    A vida invisível de Eurídice Gusmão - [eBook]

    Martha Batalha

    Companhia das Letras
    2016
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788543805658
    Português Brasileiro
    4.3
    109 avaliações
    Leram149Lendo5Querem86Relendo0Abandonos0Resenhas29
    Favoritos10Desejados86Avaliaram109

    Rio de Janeiro, anos 1940. Guida Gusmão desaparece da casa dos pais sem deixar notícias, enquanto sua irmã Eurídice se torna uma dona de casa exemplar. Mas nenhuma das duas parece feliz em suas escolhas. A trajetória das irmãs Gusmão em muito se assemelha com a de inúmeras mulheres nascidas no Rio de Janeiro no começo do século XX e criadas apenas para serem boas esposas. São as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a própria vida, mas que agora são as personagens principais do primeiro romance de Martha Batalha. Enquanto acompanhamos as desventuras de Guida e Eurídice, somos apresentados a uma gama de figuras fascinantes: Zélia, a vizinha fofoqueira, e seu pai Álvaro, às voltas com o mau-olhado de um poderoso feiticeiro; Filomena, ex-prostituta que cuida de crianças; Luiz, um dos primeiros milionários da República; e o solteirão Antônio, dono da papelaria da esquina e apaixonado por Eurídice. Essas múltiplas narrativas envolvem o leitor desde a primeira página, com ritmo e estrutura sólidos. Capaz de falar de temas como violência, marginalização e injustiça com humor, perspicácia e ironia, Martha Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias. Uma promessa da nova literatura brasileira que tem como principal compromisso o prazer da leitura.

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    Resenhas (29)Ver mais
    Stella Franco picture
    Stella Franco09/11/2020Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Leitura deliciosa!

    Os livros sobre família me atraem. Eurídice e sua irmã Guida. Eurídice queria fazer o que desejava. Pensava no futuro como musicista, quando jovem tocava flauta. Não queria o mesmo que a mãe, viver só como dona de casa. Quando se casa, e após o abandono do sonho com a música, porque o pai, severo e português antiquado, disse que ela não precisava ter uma carreira, somente um marido. Não podemos esquecer que o livro se passa entre as décadas de 1940 e 1960. Ao se casar, foi pensando no vazio de sua existência e para preencher as longas tardes, resolve sempre inventar algo: costurava para fora e antes criava e escrevia receitas. Mas o marido, machista, achava que como ele era do Banco do Brasil ela não precisava fazer nada. Mas ela apesar de desistir por um tempo, se deparou com muitos livros que enfeitavam a estante e ao iniciar a leitura de vários deles, resolve escrever sobre sua vida invisível, mas até o final ninguém deu valor, mas sua vida mudou. A escrita deu a ela um novo olhar e ela se tornou mais participativa no mundo e seu marido também foi promovido e mudaram para Ipanema, um bairro ainda em ascenção na época. Sua irmã Guida mais vaidosa após fugir para casar com um jovem rico da zona sul, onde sua família é poderosa, tem berço, onde o valor das coisas são as pratarias, os contatos, e não aceita aquela suburbana como nora. Mas o marido Marcos, não estava pronto para a vida, apesar de "querer" algo diferente, se libertar daquela família, cheia de regras, não sabia se virar, aliás não gostava de ser virar, estava acostumado aos privilégios de sua riqueza e abandona Guida a própria sorte. Ela sofre muito, passa vários apertos, tem seu filho Chico, que tem problemas de saúde, mas não desiste nunca, tem em mente que irá vencer. E é renegada pelo pai e mãe e fica sem os ver, principalmente a irmã Eurídice, que adora. Ela faz amizade com uma prostituta, Filomena, trabalha em vários lugares, mas o que deseja mesmo é ter um pai para seu filho, que possa cuidar dela e dele com segurança. Ela conhece Antonio, dono da papelaria, que apesar da mãe Eulália, aos pouquinhos e após muitos percalços ficam juntos e Antonio tem a sua libertação da mãe com esse amor a que ele sempre quis e nunca teve coragem de se permitir. As irmãs ficam separadas por muito tempo e um dia Guida descobre o endereço de Eurídice e toma coragem e vau visitá-la. E é uma felicidade só! Tentam descontar o tempo perdido, daquele amor e de tanto sofrimento de ambas. E junto a essas duas personagens, temos personagens masculinos, temos a fofoqueira, a mãe que não queria que o filho casasse, os casarões em Laranjeiras, o criador da primeira cerveja do Brasil, famílias abastadas que perderam tudo, famílias remediadas que ficaram ricas e se mudaram para Ipanema, em ascensão na época, o quitandeiro, o dono de papelaria e uma passeio por Santa Teresa, Estácio, Muda, Tijuca. E tudo isso se passando até o ano de 1964 do séc XX. Recomendo! "Porque Eurídice, vejam vocês, era uma mulher brilhante. Se lhe dessem cálculos elaborados ela projetaria pontes. Se lhe dessem um laboratório ela inventaria vacinas. Se lhe dessem páginas brancas ela escreveria clássicos. Mas o que lhe deram foram cuecas sujas, que Eurídice lavou muito rápido e muito bem, sentando-se em seguida no sofá, olhando as unhas e pensando no que deveria pensar. E foi assim que concluiu que não deveria pensar. Que para não pensar deveria se manter ocupadas todas as horas do dia..." Acabei assistindo o filme logo após ler o livro, e me decepcionei um pouco, porque saí tão feliz da leitura, e quando me deparei com o filme, achei bastante melancólico. Alguns personagens mudaram suas características e o filme enfoca na amizade das irmãs que ficam separadas para sempre. No filme Eurídice é uma pianista que nunca se realizou, porque engravidou e fica perdida quando acha que a irmã morreu e Guida sofre demais com o casamento com um marinheiro estrangeiro, e escreve ao longo da vida cartas a Eurídice que o pai e mãe nunca entregam. É claro que o filme não é ruim, com algumas ressalvas, e que é baseado no livro. Mas na minha opinião, o livro dá de 10 no filme.

    22 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 109
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%
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    Martha Mamede Batalha

    Martha M. Batalha formou-se em jornalismo pela PUC Rio e tem mestrado em Literatura Brasileira pela mesma universidade. Trabalhou como repórter e editora dos jornais O Dia, O Globo, Extra e Globo On. Em 2003 Martha criou a editora e produtora cultural Desiderata, que lançou os best-sellers OMelhor do Pasquim e O Planeta Diário. O catálogo incluía títulos de Millôr Fernandes, Ivan Lessa, Jaguar e André Dahmer. A Desiderata também trouxe para o Brasil a maior exposição de fotojornalismo do mundo, a World Press Photo. Em 2008 a editora foi vendida para a Ediouro e Martha foi morar em Nova York. Lá, iniciou um mestrado em Publishing na New York University e recebeu a OSCAR DYSTEL FELLOWSHIP, maior prêmio concedido a estudantes do curso. Também em Nova York Martha estagiou na Harper Collins e trabalhou na editora Workman, onde desenvolveu a área de projetos institucionais. Martha sempre escreveu mas A vida Invisível de Eurídice Gusmão é seu primeiro livro a ser publicado. Seu livro de estreia foi vendido a 10 países e para o cinema antes de ser publicado no Brasil.

    13 Livros
    102 Seguidores

    Martha Mamede Batalha