A primeira parte do livro, chamada "Diário do Hospício", narra o período em que Lima Barreto esteve internado no hospicio pela segunda vez. É autobiográfica, porém bastante imparcial e revela uma clareza impressionante na forma de perceber o ambiente e os companheiros no local. É muito revelador da personalidade do escritor o fato de que ele não se esquiva do próprio julgamento, não culpa a família por tê-lo colocado lá. Entende os problemas que a bebida causa a ele, os problemas em casa e com o fazer literário. Porém, sabe que não é louco! E, por isso, sofre naquele ambiente, sabe-se deslocado, sente-se só e humilhado. Mesmo o próprio sentimento de humilhação, ele consegue analisar e destrinchar. A segunda parte, "Cemitério dos Vivos", é uma ficcionalização dessa vivência anterior. Por isso, os dois livros são interligados. Fica bem demonstrado a angústia e os dissabores da vida de Lima Barreto. Uma vida que vai sendo dilacerada de forma irreversível, até a morte.
Diário do hospício & O cemitério dos vivos
Lima Barreto
Companhia das Letras
2017
326 páginas
10h 52m
ISBN-13: 9788543810287
Português Brasileiro
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