A Carteira de Meu Tio -

    Joaquim Manuel de Macedo

    Livraria Garnier
    2001
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-10: 8571750785
    Português Brasileiro

    O leitor acostumado ao romantismo de Joaquim Manuel de Macedo tem agora a oportunidade de conhecer um outro texto primoroso do autor: A carteira de meu tio. Nesta obra, ele enfoca a política brasileira, elaborando um retrato bem-humorado, revelador e crítico da nossa sociedade no fim do Império - quando o livro foi escrito. Essa sátira alegórica à vida pública brasileira vem recheada de informações sobre a política daquela época, mas guarda um surpreendente tom de comtemporaneidade. O protagonista dessa história de Joaquim Manuel de Macedo é um rapaz que faz uma viagem de estudos à Europa às custas de um tio. De volta ao Brasil, ele decide ingressar na carreira política. Mas antes de se lançar a esse ofício, o tio o obriga a viajar pelo país para conhecer melhor as necessidades da população. Em suas andanças, o rapaz - que tem duas qualidades para subir na vida, impostura e atrevimento - observa e critica os conchavos, ironiza as regras do jogo político, traçando assim um "epitáfio da época". A viagem do rapaz em seu pangaré - que simboliza a política nacional - recria os absurdos políticos da Constituição imperial. E de tudo o sobrinho tira material para rechear com anotações críticas a carteira que seu tio lhe presenteou. Uma das primeiras observações que ele fez foi a seguinte: "Eu digo as coisas são como elas são: há só uma verdade neste mundo, é o Eu: isto de pátria, filantropia, honra, dedicação, lealdade, tudo é peta, tudo é história, ficção, parvoíce."

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    Felipe Souza Gonçalves21/12/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

     Eu não dava nada para este livro. Achei que seria mais uma obra pouco conhecida, exaustiva e de cunho filosófico que os vestibulares costumam cobrar. A Carteira de Meu Tio me surpreendeu de tal modo que o li nas duas vezes que o abri.  O autor, Joaquim Manuel de Macedo, nos conta a história de aprendizagem de um rapaz, sobrinho de um tio rico e o qual o influencia a vagar Brasil a dentro para sua formação como cidadão por um prisma político-constitucional. Por meio de situações simples e cotidianas o "sobrinho" aprende que a tal magnifica Constituição imposta por D. Pedro I em 1824 não é tão magnifica quando posta em prática. Com o auxilio do pobre porém sábio compadre Paciência o jovem fidalgo preenche a carteira de seu tio, uma espécie de diario de bordo com reflexões profundas, muitas vezes de cunho filosófico sobre desavenças entre as diversas classes sociais e as injustiças vividas pelos menos favorecidos. Em conclusão, o antes superficiall sobrinho aprende que antes do progresso material é preciso o progresso moral para que se tenha uma sociedade estruturada e plenamente fundada nos princípios de um constituição que pode sim ser magnifica.

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