Publicados respectivamente em 1951 e 1956, "As palavras interditas" e "Até amanhã" são livros em que se encontra, praticamente em cada poema, aquilo que fez, e faz, de Eugénio de Andrade o mais luminoso e claro de nossos poetas do século XX. Um poeta luminoso em tempos sombrios, e um poeta claro numa época em que o que se queria dizer muitas vezes tinha de passar pela expressão codificada e hermética para os não iniciados, pode parecer uma contradição; mas Eugénio tinha aprendido essa clareza com dois poetas a quem uma certa simplicidade de linguagem e de imagens não diminuía a sua arte: António Botto e Frederico Garcia Lorca. O primeiro muito longe, como é óbvio, da grandeza de Lorca, mas nem por isso menos perfeito nos momentos em que o poema resulta inteiro, como nas "Canções", sendo através da sua convivência com Botto, como Eugénio me disse, que ouviu e descobriu a poesia de Pessoa num momento em que este estava longe de ter o reconhecimento universal que hoje tem.
As palavras interditas / Até amanhã (Obras de Eugénio de Andrade) -
Eugénio de Andrade
Assírio e Alvim
2012
70 páginas
2h 20m
ISBN-13: 9789723716566
Português
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