"E eu, só uma pedra", de Helton Pereira, com ilustrações de Cau Gomez (muito bonitas, por sinal) é um livro infanto-juvenil ganhador do 1° prêmio Cepe de Literatura Nacional, em 2015.
A protagonista da narrativa é uma pedra - uma pedra que queria ser importante, ser útil como as pedras devem ser, fazendo parte de construções; mas ela era pequena demais e era sempre chutada pra longe. E essa mesma pedra acreditava que além do horizonte só existia água.
Começando com um tropeço no meio do caminho de um tal de Carlos, ela viaja pelo mundo através da companhia de escritores (brasileiros, que reconhecemos pela descrição e ilustração) sendo inspiração e peso de papel. Aprendendo as palavras de Carlos, e depois de Cecília, Raquel, Paulo, conhece a vastidão do mundo, constata que é importante do seu jeito, contando estas histórias para as outras pedras, que recontavam para outras e, assim, as palavras bonitas dos humanos podiam chegar em todas as pedras.
O livro é uma delicadeza metafórica. Percebemos a dimensão de um acaso, a importância da tradição oral, de que não há uma predestinação absoluta - existe novos e outros jeitos de ser e dar sentido à vida. E que por vezes, precisamos encontrar pessoas que nos ajude a mostrar e descobrir nosso valor, a percorrer o novo caminho.
Ninguém é só uma pedra; todos nós temos qualidades que podem contribuir de algum jeito ao mundo e aos outros.