Como acontece com a maioria dos autores de primeira viagem, inicialmente os leitores se familiarizam com a sinopse e o enredo de seus livros, para depois conhecer melhor o autor da obra. Escritores que se tornaram uma marca no mercado internacional não são poucos, J.K Rowling e Stephanie Meyer por exemplo. Porém no caso de Elixir, temos o oposto a essa situação. Hilary Duff se tornou uma marca há muitos anos atrás. Conhecemos a loirinha de voz macia e jeito delicado por suas atuações em filmes e por sua voz em músicas pop chiclete. O que o público de massa, não tinha certeza é se ela poderia escrever também.
Elixir conta a história de Clea, que assim como Hilary, teve sua vida focalizada pelas câmeras desde muito cedo. Quando seu pai, um famoso cirurgião, desaparece tudo em seu universo vira de cabeça para baixo. Clea, embora nos últimos anos da adolescência, trabalha como foto jornalista através de um pseudônimo. Pessoalmente, como estudante de Jornalismo, eu adorei as cenas em que a personagem se perde atrás de sua câmera.
Clea é uma observadora, sempre contemplando e nunca estando de fato no meio do furacão. Eu me identifiquei ao extremo com essas características da personagem. A personagem é sagaz, possui um raciocínio aguçado e não irrita o leitor com atos impensados. Clea é daquelas pessoas de natureza razoavelmente calma,porém quando toma uma decisão é difícil dissuadi-la de sua opinião.
A outra personagem feminina que contrabalanceia o caráter fechado de Clea, é sua melhor amiga Rayna. Ela me despertou grande carinho e afinidade, talvez por Rayna me lembrar uma amiga muito querida.
O triângulo amoroso que se forma durante a história não é complicado e nem torna difícil a escolha de Clea. Desde o início é muito claro quem é alma gêmea da protagonista. E sim, Elixir é mais um dos livros que tem como enredo principal a reencarnação de amores eternos. Mas não se engane, o plot é diferente de tudo que você já leu antes. O próprio título do livro já entrega um pouco da questão. O elixir da vida. Quem o toma vive jovem e belo eternamente, mas aqueles a sua volta não.
Hilary também conquistou uma façanha difícil na maioria dos livros paranormais. Ela conseguiu descrever cenas de um livro de horror. Aqueles momentos em que o leitor sente um arrepio percorrer seu corpo ou fecha o livro e volta para dar uma espiadela. Em particular a cena em que Clea descobre o homem que aparece em suas fotos. A heroína então sai tirando fotos de seu quarto e... Não vou contar. Mas vale a pena ler.
O ambiente e a paisagem do livro têm os mais variados cenários. Logo ao início o leitor é levado a Paris e as cenas mais instigantes e prazerosas, talvez por eu ser Brasileira,são aquelas que se passam no Rio de Janeiro,onde o pai de Clea desapareceu. A descrição de Hilary sobre o Carnaval carioca é perfeita. E falo com conhecimento de causa porque sou carioca.
Sobre o romance entre Clea e Sage (eu adorei o nome dele), o leitor será deixado em um terrível impasse. Será que Clea deveria ficar com Sage? Afinal, não seria melhor que ele a deixasse ter sua própria vida? Será que Sage é realmente o moçinho?
São muitas perguntas. Porém eu apreciei a construção dos personagens e a forma coesa como se deu seu relacionamento. Não é um livro com grande furor emocional entre os protagonistas, mas Elixir cumpre a missão de nos vender o "romance" entre o casal.
Devo dar um destaque especial as cenas de flashback, onde o passado nos é apresentado. É uma experiência inigualável para o leitor conhecer afundo as outras vidas dos protagonistas.
Minha única observação negativa em relação á Elixir é a narrativa acelerada. A autora não tomou tempo necessário para descrever certos aspectos e eu como leitora, tive a sensação de que certos acontecimentos foram corridos ao extremo, não me dando a oportunidade de saborear certos momentos.
Para aqueles que duvidavam da habilidade de Hilary como escritora, digo que Duff fez um trabalho muito melhor do que muitas outras autoras consagradas no meio de romance paranormal para jovens adultos.
4 Estrelas para Elixir da autora, cantora e atriz Hilary Duff,e aos leitores apreciem sem moderação.
Marina Moura