Dossiê Dostoiévski -

    varios

    bregantini
    2006
    68 páginas
    2h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Dostoiévski iniciou sua carreira literária em meados dos anos 1840. Praticamente na mesma época, surgiram também outros escritores de grande talento, como Turguêniev, Gontcharov, Herzen, Nekrásov. Porém, nenhum deles suscitou tanta expectativa como Dostoiévski. Recebido por todos como um escritor da então chamada “Escola Natural”, cujo marco inicial é O capote, de Gógol, já em seu romance de estreia, Pobre gente, Dostoiévski polemiza abertamente com esta obra gogoliana. Essa escola, com orientação de cunho “realista”, na tentativa de afirmar o valor do homem comum, procurava mostrá-lo de forma objetiva, “tal como ele é”, o que incluía toda a limitação de suas capacidades inventivas. Dostoiévski rejeita de imediato esse modo de representação, considerando-o insuficiente não só para penetrar na essência significativa dos fenômenos sociais, como para a representação das características mais determinantes de suas personagens. Ao colocar, no centro de Pobre gente, um homem da mais baixa extração social, a mais limitada natureza humana, sua intenção é deixá-lo revelar-se por si mesmo como uma criatura capaz de pensar, sentir e agir da maneira mais profunda e humana. Para isso, ele passa para o ponto de vista da própria personagem tudo o que até então era apresentado do ponto de vista do escritor. Especificidade essa que é vista até hoje como uma característica essencial de seu modo de escrever.

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