Com tradução do professor da Unicamp Lucas Angioni, o livro possui prefácio, introdução e diversos comentários que esmiúçam o texto aristotélico.
A Física de Aristóteles é composta por dois pequenos livros que trazem os princípios gerais da concepção de natureza. Aristóteles traz a noção de natureza como princípio interno de movimento e/ou repouso, em contraste com a técnica, concebida como um princípio de movimento extrínseco ao ente movido. A natureza se diz de dois modos: a forma e a matéria.
Há primazia da forma sobre a matéria, da efetividade sobre a potência, e é a forma, não a matéria, que é capaz de se reproduzir. Aristóteles busca mostrar que a forma, definida como função e efetividade, exige que a matéria que vier a lhe servir de substrato apresente um conjunto de propriedades articuladas entre si.
No Livro I, Aristóteles estabelece 3 princípios: subjacente, privação e forma. Qualquer item envolvido no devir (seja o início ou o final) é sempre composto e deve ser analisado predicativamente, isto é, em dois elementos, o subjacente e uma propriedade, cuja relação se estabelece predicativamente. Exemplo: um homem, que era não-musical, agora é musical.
No Livro II, o Estagirita trata de temas relacionados ao domínio dos entes naturais: a noção de natureza como princípio de movimento e repouso; as noções de forma e matéria; a teoria das quatro causas; e as noções de acaso, necessidade e espontaneidade.
Sobre a teoria das 4 causas, revisei o que tinha estudado na Metafísica, de Aristóteles. Segue o exemplo da casa. Causa formal: o que o ser é? Casa. Causa material: do que o ser é feito? Pedras e tijolos. Causa eficiente: quem ou o que fez o ser? O construtor. Causa final: para que o ser existe? Para moradia.
É interessante notar como a sociedade contemporânea é eminentemente materialista, na medida em que aborda somente as causas formais e materiais do ser, ignorando completamente as finais e eficientes. A unidade do conhecimento, contudo, exige o estudo das 4 causas apontadas pelo Estagirita.
Senti mais dificuldade em ler a Física, sem qualquer ajuda externa, do que a Metafísica, que estudei acompanhando por um curso on-line. São obras complementares. Boa parte do que é tratado na Física é também abordado na Metafísica, obra maior e posterior.