Em A Muralha da Linguagem, Vito Giannotti joga na cara do leitor toda a sua indignação pelo fato de o Brasil, país que escolheu para viver e ter filhos, ser ainda hoje dividido entre a Casa Grande e a Senzala e seus arredores. E prova por A + B como esta divisão se reflete na linguagem. Um Brasil no qual a distância entre os mais ricos e os mais pobres é quase a pior do mundo. O país da injustiça social institucionalizada e aceita como normal. Um país que convive, sem grandes traumas psicológicos, morais, ou políticos, com um sistema de injustiça absoluta e secular, afirma já no primeiro capítulo. Na obra, conta casos, relata fatos, mostra muitos números cruéis da vergonhosa concentração de renda aliada ao desprezo das elites pela classe trabalhadora. Faz de tudo para convencer jornalistas, sindicalistas, advogados, professores e quaisquer outros que se relacionem com o povo, que a mesma divisão econômica se repete na linguagem. A divisão social do País se reflete, de forma ampliada na linguagem. A Casa Grande fala uma linguagem que a Senzala não entende. Esta é a tragédia para uma comunicação que quer atingir trabalhadores que não estudaram nas escolas da Casa Grande e nem lêem os jornais, revistas e nem freqüentam livrarias próprias de uma pequena parcela da população brasileira.
Muralhas da Linguagem -
Vito Giannotti
Mauad
2004
181 páginas
6h 2m
ISBN-10: 8574781312
Português Brasileiro
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