The annotated text of this modern classic. It assiduously illuminates the extravagant wordplay and the frequent literary allusions, parodies, and cross-references. Edited with a preface, introduction and notes by Alfred Appel, Jr.
The Annotated Lolita: Revised and Updated (English Edition)
Vladimir Nabokov
So alguns pensamentos sobre a pior coisa que eu ja li
Às vezes, é difícil demais escrever alguma coisa sobre um livro. Simples assim. Como que a gente dá uma nota pra um livro como “Lolita”, do Vladimir Nabokov, quando você não sabe bem o que dizer sobre ele? O sentido de dar estrelas para uma leitura e depois escrever que você achou dela deveria ser algo simples: dizer se o livro é bom ou ruim através de uma classificação numérica e dizer o que você achou da história e da escrita dele. Só que, como a gente classifica um livro tão bom, mas que você odeia do fundo da sua alma? Como é possível gostar de um livro que é em si só uma experiência agonizante e traumática? Tem certos livros que não devem ser lidos por todo mundo, e eu acho que Lolita é um deles - mas, vamos por partes. Lolita é uma história sobre pedofilia, do ponto de vista do próprio Pedófilo, dividido em duas partes. Na primeira, o narrador, H.H. nos conta sua vida e jornada até o momento em que ele conhece Dolores Haze, uma garota de 12 anos que mora com a mãe viúva, e que vive na Nova Inglaterra. Humbert acaba locando um quarto na casa, se casa com a mãe da menina apenas pra ficar perto dela. Em determinado momento, a mãe da Dolores morre, e o H.H. acaba tomando a menina como “filha”, a sequestrando e indo numa viagem pelos Estados Unidos do fim dos anos 40, enquanto eles vão desenvolvendo uma relação de abuso emocionais e sexuais por parte do Humbert para com a menina. Na segunda parte, a gente vai saber um pouco do que era essa relação até que os dois tenham fins trágicos. O mais interessante desse livro são as discussões que ele gera, uma vez que o narrador dessa tragédia não é uma pessoa confiável. Tudo o que sabemos é do ponto de vista dele, o jeito que ele a vê e o jeito que ele mostra a Dolores para nós, leitores, como se ela fosse “má”, sedutora, precoce, uma ninfeta, como ele a chama. Isso faz com que a gente seja cúmplice dos crimes dele, justificando suas ações ao culpar a Dolores por tudo o que ele faz. E ele sabe que a Dolores sofre nas mãos dele, mas ele sempre faz parecer que ele é o grande injustiçado da história pois a menina vai crescendo, tendo autonomia e acaba escapando dele. O H.H. destrói a vida dessa garota de forma perversa e não se arrepende disso, fica claro do jeito que ele narra a história. É de partir o coração de qualquer um, de partir e magoar a alma de qualquer vítima de pedofilia ou abuso sexual. Eu consigo entender o apelo do livro, o quanto ele é mal interpretado, principalmente por causa dos filmes. E ele é um livro muito bem escrito, muito bem amarrado, não tenho críticas quanto a isso. Entretanto, o que divide minha opinião é que, eu gostei do livro pela escrita que não deixa a desejar, nem justifica os crimes do H.H. - pelo menos pelo o que entendi; mas como avalio esse livro que foi a pior experiência literária que eu já tive? O livro mais desconcertante, mais triste, mais perturbador que eu já li por ele ser tão real, tão palpável? Os abusadores na vida real são e pensam do jeito do H.H. O livro mostra que a gente não deve confiar nele. Mas e ai? O que eu faço? Sei lá… é isto.
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