Solidão e outras tristezas
Gostei de uma parte que diz: “…Enxergar o belo, por vezes, depende da vontade. É racionalmente possível não querer enxergá-lo, como o bem, o que provém do livre arbítrio, resultante da complexidade de cada um. Há quem, pessimista, interprete a vida como um permanente sacrifício. Tudo lhe pesa,causa incomodo, reclamos. Outro a tem por um presente da divindade e, de pronto, sente-se grato, feliz…” E já que o livro é de poemas, resalto um deles chamado Mimos inocentes: “Que sorte a minha, nem todos a têm. Quisera a tivessem, nada de desdém. Tenho três cachorros e um belo jardim. Cuido bem deles e eles de mim. Dou-lhes de comer, dou-lhes de beber, em troca me dão, alegria e prazer. Cachorros me lambem, balançam o rabinho, me pulam, me rosnam, com grande carinho. Já o jardim, com verde viçoso, floresce pra mim, todo caprichoso. Toca minha alma tamanha beleza: o mimo dos bichos e da natureza. Aí me pergunto, trocando de assunto: tratando com gente também será assim: tal mimo de bicho e flor de jardim?”


