Sentir o Direito: ([recurso eletrônico]) - pesquisa e cultura jurídicas na interação com cinema e literatura

    Sara Alacoque Guerra ZAGHLOUT, Paulo Thiago Fernandes DIAS, Vicente de Paulo BARRETTO

    Fi
    2020
    382 páginas
    12h 44m
    ISBN-13: 9786581512705
    Português Brasileiro

    Esta obra coletiva contempla o trabalho intelectual de pesquisadora(e)s e profissionais do Direito, dentre professore(a)s com anos dedicados à docência do ensino jurídico superior, em nível de graduação e de pós-graduação, vindo(a)s dos mais diversos cantos do Brasil. O livro então faz parte do gênero dedicado à interação entre produções científicas e artísticas, no caso, Direito, Cinema e Literatura. Diante da liberdade conferida à(ao)s autore(a)s para definição de seus objetos de estudo e dos referenciais culturais tomados como base para seus trabalhos, o público recebe vinte capítulos muito bem desenvolvidos e que discutem temas caríssimos à compreensão das dinâmicas relacionadas ao Direito. Trata-se, provavelmente, do primeiro de muitos valiosos volumes de uma coleção, já que o formato “Direito, Literatura & Cinema” é um verdadeiro sucesso.

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    Paulo Silas Taporosky Filho24/11/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Com a proposta de lançar um olhar mais crítico e cuidadoso para o fenômeno jurídico em suas várias e tantas nuances, a obra coletiva evidencia em razão disso o motivo do título que leva, uma vez que ao se estabelecer o liame daquilo que o âmbito forense se lança a analisar com as artes, tem-se a partir daí a oportunidade de sentir o direito - consequência certa inclusive com a leitura do livro. Assim, fomentada pelo aspecto salutar que a relação do direito com as artes acarreta, a obra constitui uma certeira contribuição para esse movimento que cresce cada vez mais, tratando-se de uma produção efetivamente colaboradora para o meio. O livro conta com 20 capítulos nos quais diversas formas da relação entre direito e arte aparecem, abordando-se o diálogo proposto por meio da literatura e do cinema. Dentre as intersecções tantas que se fazem presentes, tem-se a análise dos direitos de personalidade no contexto da quarta revolução industrial que é feita a partir de um episódio da série Black Mirror. O desenho Dungeons and Dragons aparece como pano de fundo para se pensar o realismo jurídico que é evidenciado a partir do exemplo de uma decisão judicial de um ministro do STF, apontando assim para um fenômeno (o ativismo judicial) cada vez mais presente no cenário jurídico brasileiro. A questão do feminicídio também está presente no livro, cujo diálogo com as artes é feito a partir da leitura de Otelo, de Shakespeare, cujo enfoque na personagem Desdêmona permite a relação reflexiva proposta. Esses e tantos exemplos outros presentes no livro evidenciam o acerto da proposta dos autores. Como bem aponta Álvaro Oxley Rocha no prefácio da obra, o simples tecnicismo no trabalho jurídico resvala na repetição de soluções estereotipadas", pelo que o direito, por esse viés, não consegue acompanhar o desenvolvimento da realidade social e acaba por perder o seu ideal de justiça. Daí que (re)pensar o direito em conjunto às artes é medida salutar e necessária, pois a literatura, o cinema, a música e afins permitem um respiro próprio em meio tantos imbróglios do sistema jurídico. Acerto digno de nota, portanto, dos organizadores em reunir excelentes trabalhos que pensam a partir das artes sobre as mazelas jurídicas. Agatha Christie, Machado de Assis, Ernest Hemingway e tantos outros notáveis da literatura e do cinema possibilitam a proposta da obra, tendo-se aqui uma contribuição válida e merecedora de estudo para o movimento direito e artes.

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