Foi uma leitura um pouco cansativa, mas que é amarrada no final. Título, símbolos, quase tudo ganha sentido no desfecho do livro. É um romance bem contemporâneo, ambientando em Buenos Aires, que discute o amor e o desamor a partir do divórcio de um casal argentino heterossexual.
A história é envolvente pois foge a uma dicotomia simplista de "felizes para sempre" versus "separação"; aqui, o divórcio é abordado em seus aspectos afetivos e concretos. Gosto de Pauls, algumas passagens desta obra me marcaram muito, só não colocarei o livro entre as minhas leituras favoritas porque senti falta de um aprofundamento psicológico na construção das personagens, sobretudo das mulheres. Sim, a separação ocorrida após 12 anos de casamento segue a perspectiva do homem, então o livro tem algumas "homices" que irritam! Tudo certo em retratar um homem assim, mas considero que houve um desequilíbrio entre a densidade dada à construção da personagem masculina em relação ao desenho das personagens femininas, sobretudo da ex mulher. O ponto é que, para mim, em termos de composição de personagens, há partes que ficaram soltas, apesar de, como eu mencionei, o final tapar algumas dessas lacunas.
Ainda assim, encontrei o que procurava: uma história de amor que escapa um pouco aos clichês, com uma ou outra sacada genial sobre relacionamentos na contemporaneidade. Um livro "bom", que vale a pena, mas com alguns "poréns". Do mesmo autor, continuo mais fã de "Wasabi".
Obs.: Fiquei curiosa para ver a adaptação cinematográfica... Parece que foi dirigida pelo Babenco.