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    Úrsula (Romance Original Brasileiro) - Maria Firmina dos Reis

    Maria Firmina dos Reis

    San' Luiz
    1859
    205 páginas
    6h 50m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    50 avaliações
    Leram65Lendo3Querem17Relendo0Abandonos0Resenhas21
    Favoritos0Desejados17Avaliaram50

    'Úrsula' é um romance da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis publicado em 1859. O primeiro escrito por uma mulher no Brasil, publicado com o pseudônimo "uma maranhense". É romance precursor da temática abolicionista na literatura brasileira.

    Edições (2)

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    Resenhas (21)Ver mais
    Taiane Anhanha Lima picture
    Taiane Anhanha Lima08/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Romance com linguagem bem detalhada, mas muito bom!!

    Começo dizendo que não li o romance original, esse da capa. Coloquei ele porque li em uma outra edição que englobava outros livros e contos que não pretendo ler por agora. Enfim, eu sabia quem era Maria Firmino, da importância desse livro, do seu pioneirismo, etc. Mas eu não conhecia seu enredo e sempre me pareceu que o foco e protagonistas eram os escravizados, imagina o susto que tomei quando vi que não aahahaha obviamente, não tem problema nisso, aliás, 80% dos livros e contos que lemos até nos dias atuais são compostos por casais brancos. A questão foi que eu me enganei e já tinha a ideia errada do livro na cabeça hihih Esse não é o tipo de leitura que eu costumo fazer, a escrita, por ser mais antiga, é bem detalhada e cheia de descrições (principalmente nas parte românticas, chegou a escorrer mel das páginas hahahah). Basicamente, a história é de um casal de brancos, Tancredo e Usula, que se apaixonam e a partir daí passam por diversas dificuldades para ficarem juntos, principalmente porque o tio da Ursula resolve se apaixonar por ela e fazer de sua vida um tormento. Esse tio, inclusive, parece um vilão bem caricato, fiquei com ódio do véio que só serviu para estragar tudo. Além de ser um péssimo senhor de escravizados que em qualquer destempero sentia prazer em puni-los. Mas eu confesso que os escravizados me chamaram mais atenção. Tulio que era escravizado de Ursula e sua mãe "ganha" a liberdade paga por Tancredo e a "preta" Susana que faz uma discussão primorosa (ótima de se usar em sala de aula) de como foi roubada da sua família no continente africano e trazida para o Brasil. Todas as descrições das vidas dos escravizados são bem pesadas, da violência que sofriam, das perdas e do quanto esse sistema foi cruel. Ursula e Tancredo são dois brancos "aliados", inclusive, Tancredo repete várias vezes que entende a dor de Tulio, mas não, ele não entende. O começo do livro pode ser difícil e pode fazer com que muitos desistam da leitura, mas ela super valeu a pena para mim, era um livro que eu queria ler há bastante tempo.

    5 curtidas

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    Avaliações

    4 / 50
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Maria Firmina dos Reis profile picture

    Maria Firmina dos Reis

    Maria Firmina dos Reis nasceu na Ilha de São Luís, no Maranhão, em 11 de março de 1825. Foi registrada como filha de João Pedro Esteves e Leonor Felipe dos Reis. Era prima do escritor maranhense Francisco Sotero dos Reis por parte da mãe. Em 1830, mudou-se com a família para a vila de São José de Guimarães, no continente. Viveu parte de sua vida na casa de uma tia materna mais bem situada economicamente. Em 1847, concorreu à cadeira de Instrução Primária nessa localidade e, sendo aprovada, ali mesmo exerceu a profissão, como professora de primeiras letras, de 1847 a 1881. Maria Firmina dos Reis nunca se casou. Em 1859, publicou o romance “Úrsula” considerado o primeiro romance de uma autora do Brasil. Em 1887, publicou na Revista Maranhense o conto "A Escrava", no qual descreve uma participante ativa da causa abolicionista. Aos 54 anos de idade e 34 de magistério oficial, anos antes de se aposentar, Maria Firmina fundou, em Maçaricó, a poucos quilômetros de Guimarães, uma aula mista e gratuita para alunos que não podiam pagar: conduzia as aulas num barracão em propriedade de um senhor de engenho, à qual se dirigia toda manhã subindo num carro de boi. Lá, lecionava às filhas deste, aos alunos que levava consigo e a outros que se juntavam. A acadêmica Norma Telles classificou a iniciativa de Maria Firmina como "um experimento ousado para a época". Essa ação inovadora vai de encontro às lutas das feministas brasileiras do final do século XIX que desejam a igualdade de ensino para meninas. Maria Firmina dos Reis participou da vida intelectual maranhense: colaborou na imprensa local, publicou livros, participou de antologias, e, além disso, também foi música e compositora. A autora era abolicionista: ao ser admitida no magistério, aos 22 anos de idade, sua mãe queria que fosse de palanquim receber a nomeação, mas a autora optou por ir a pé, dizendo a sua mãe: "Negro não é animal para se andar montado nele." Chegou também a escrever um "Hino da Abolição dos Escravos". Descreveu-se, em 1863, como tendo "uma compleição débil, e acanhada" e, por conta disso, "não poderia deixar de ser uma criatura frágil, tímida, e por consequência, melancólica." Os que a conheceram, quando tinha cerca de 85 anos, descreveram-na como sendo pequena, parda, de rosto arredondado, olhos escuros, cabelos crespos e grisalhos presos na altura da nuca. Uma antiga aluna caracterizou-a como uma professora enérgica, que falava baixo, não aplicava castigos corporais, nem ralhava, preferindo aconselhar. Era reservada, mas acessível, sendo estimada pelos alunos e pela população da vila: toda passeata de moradores de Guimarães parava em sua porta, ao que davam vivas e ela agradecia com um discurso improvisado. Maria Firmina dos Reis morreu, cega e pobre, aos 95 anos, na casa de uma ex-escrava, Mariazinha, mãe de um dos seus filhos de criação.É a única mulher dentre os bustos da Praça do Pantheon, que homenageiam importantes escritores maranhenses, em São Luís.

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    Maranhão, Brasil

    Maria Firmina dos Reis