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    Ensaio sobre a Lucidez -

    José Saramago

    Caminho
    2004
    332 páginas
    11h 4m
    ISBN-13: 9789722116084
    Português
    4.2
    4413 avaliações
    Leram7434Lendo656Querem11031Relendo10Abandonos514Resenhas353
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    Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%. Receoso e desconfiado, o governo, em vez de se interrogar sobre os motivos que terão os eleitores para votar branco, decide desencadear uma vasta operação policial para descobrir qual o foco infeccioso que está a minar a sua base política e eliminá-lo. E é assim que se desencadeia um processo de ruptura violenta entre o poder político e o povo, cujos interesses aquele deve supostamente servir e não afrontar. Ensaio sobre a Lucidez, o romance de José Saramago, constitui uma representação realista e dramática da grande questão das democracias no mundo de hoje: serão elas verdadeiramente democráticas? Representarão nelas os cidadãos, os eleitores, um papel real, e não apenas meramente formal?

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    Clio picture
    Clio02/07/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ensaio sobre a Lúcidez é um tratado de conscientização política. Todo governo tem apenas o poder que o povo lhe dá. Assim, logo no prólogo, a população de um certo país vota em branco... em massa. Saramago descreve a confusão dos políticos, a repressão do que alguns considerariam como um ato terrorista contra a democracia e a possibilidade de uma influência internacional (um vago aceno a Revolução Francesa e outros levantes que ainda assombram a Europa). O que mais chama a atenção no texto são os atos da população que, obviamente, não reage como o proletariado em vias de revolução, mas apenas como um grupo que finalmente entendeu que a inutilização de orgãos públicos é algo possível e passível. É a anarquia de Trotski. É uma leitura dinâmica, recheada de diálogos paradoxais numa tentativa de imitar o linguajar político. Pode ser difícil acompanhar para quem não estão acostumado com o estilo do autor que quase não utiliza parágrafos e pontuação. Recomendo.

    192 curtidas

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