In Theorizing Myth, Bruce Lincoln traces the way scholars and others have used the category of "myth" to fetishize or deride certain kinds of stories, usually those told by others. He begins by showing that mythos yielded to logos not as part of a (mythic) "Greek miracle," but as part of struggles over political, linguistic, and epistemological authority occasioned by expanded use of writing and the practice of Athenian democracy. Lincoln then turns his attention to the period when myth was recuperated as a privileged type of narrative, a process he locates in the political and cultural ferment of the eighteenth and nineteenth centuries. Here, he connects renewed enthusiasm for myth to the nexus of Romanticism, nationalism, and Aryan triumphalism, particularly the quest for a language and set of stories on which nation-states could be founded. In the final section of this wide-ranging book, Lincoln advocates a fresh approach to the study of myth, providing varied case studies to support his view of myth—and scholarship on myth—as ideology in narrative form.
Theorizing Myth: - Narrative, Ideology, and scholarship
Bruce Lincoln
Edições (1)
Ver maisTeorizando mito
Este é um livro relevante a todos que se se interessam pelo estudo do mito, dos mitos, e das mitologias. Isto é, ele vai agradar mais aqueles ligados ao métier acadêmico que o indolentes amantes de histórias fantásticas. Não obstante, devo acrescentar que os amantes de histórias fantásticas tirariam um bom proveito se munidos de paciência para atravessá-lo. Pois o que o livro de Bruce Lincoln trata é justamente do subterrâneo intelectual e político pelo qual essas narrativas 'primordiais' têm sido consumidas, especialmente, nos dois últimos séculos. Travestidos como patrimônios culturais essenciais e originais de povos, os estudiosos de mitos teriam criado o mito do mito, projetando seu desejos e interesses no passado distante para justificar o presente. Nesse prisma, a mitologia comparada do século XIX seria um produto do romantismo alemão e estaria inseparável do mito da 'raça' dos indo-europeus ou arianos, que culminaria mais tarde no regime nazista. Figuras centrais dessa tradição acadêmica como Max Müller, George Dumézil e Mircea Eliade mostrariam em seu arsenal teórico implicações políticas catastróficas. O autor ele próprio foi aluno de Eliade nos anos 50, e há uma complicada relação no texto, entre a acusação de seu professor como antissemita, e seu afeto por ele. O texto todo, aliás, é cortado por essa ambivalência fundamental. O texto é de um acadêmico que usou por décadas o método da mitologia-comparada, e que, em um gesto polêmico, audacioso, mas, sem dúvida, corajoso, revisa criticamente seu legado acadêmico e de seus mestres. O mantra subjacente de que "ideias têm consequências" leva a uma reivindicação de mito como "ideologia em forma narrativa", e da erudição ou conhecimento acadêmico (scholarship), como "mito com notas de rodapé". O que mais senti falta foi de uma equivalente teorização do conceito de ideologia, a que o autor descreve de forma muito sumária, ambígua e que pode levar o leitor a algumas vertigens de pensamento em outros trechos do livro, como, por exemplo, quando o autor ensaia uma justificativa da autoridade do seu próprio texto como mito com notas de rodapé. O livro também foi criticado por vender como novo ideias que já estavam por aí muito antes, isto é, a desconstrução e historização do conceito de mito ao longo do tempo tem uma bibliografia importante, densa, e que é ou empurrada para notas ou tratada de forma mais superficial. No entanto, Lincoln tem o mérito de organiza-las num material sucinto de ampla divulgação que não chegaria ao público não-especializado tão facilmente. A mensagem do livro é que, como estudantes de mito, deveríamos abandonar o método comparativo, reconstruções de identidade e discursos homogêneos que remontam às metanarrativas do Ocidente porque elas sempre produziram exclusão e opressão sociais. Deveríamos, como ele diz em sua conclusão, nos manter longe de projetos de reconstrução e gravitar cada vez mais perto dos de crítica. O livro reflete, como não poderia deixar de ser, as nuances e complexidades do próprio Bruce Lincoln: de um lado, sua árvore genealógica, de judeus perseguidos no período das guerras mundiais, muitos com inclinações progressistas (anarquistas ou comunistas), com uma figura paterna que inclusive lutou contra os nazistas. De outro lado, a paixão de Bruce, que o acompanhou ao longo de sua trajetória acadêmica, da mitologia comparada e seus pensadores, que fizeram, conscientemente ou não, cama ao nacionalismo xenófobo, antissemita e nazi-fascista. 'Theorizing Myth' constitui, ao nível microcósmico, um esforço individual de superação dessa contradição.
Estatísticas
Avaliações
4 / 1- 5 estrelas0%
- 4 estrelas100%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%

