Relíquia viva (1852) -

    Ivan Turguêniev

    Editora 34
    2016
    24 páginas
    48m
    ISBN-10: B01N9KJDG5
    Português Brasileiro

    Ivan Serguêievitch Turguêniev (1818-1883), autor de romances, novelas, contos e peças, foi o primeiro escritor russo a granjear fama fora de seu país. Tornou-se o romancista russo favorito de autores como Henry James, que via nele o ápice da sofisticação narrativa. “Relíquia viva” faz parte do ciclo de contos Notas de um caçador, publicados em 1852. Esse livro, sutil na arte e forte na perspectiva moral, é um dos marcos literários da década de 1850 na Rússia. Melchior de Vogüé o considera um dos melhores exemplos do realismo “superior” russo, e o posiciona no cerne (literalmente, já que o comentário está exatamente no meio do texto) do seu estudo fundamental sobre o romance russo (1886). Após um resumo do conto, ele diz: “Tudo isso não dá margem para análise: seria como se quiséssemos segurar asas de borboleta; a própria trama da narrativa é tão tênue, tão simples; muito pouca coisa por tudo que ali existe, ou melhor ainda, por tudo que ali não aparece. Diante do assunto, imagino como as diversas escolas literárias o teriam compreendido. Um romântico dos bons tempos nos mostraria a fatalidade acirrada contra aquela criatura; faria um protesto vivo contra a ordem do universo, um monstro doloroso, a mulher de Quasímodo [...] Nada de semelhante em Turguêniev; o escritor desliza discretamente pelas misérias físicas, com palavras [...] O talento está na proporção direta entre o real e o ideal; cada detalhe espelha a realidade, na mediania humana, e o conjunto é envolvido pelo halo do ideal” (tradução de Brito Broca).

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    Carla Flores18/01/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    No fim das contas só temos a nós mesmos.

    Relíquia viva faz parte de uma antologia publicada no Brasil em 2011 mas foi publicado inicialmente em 1852. Dois amigos saem para caçar, porém, devido à chuva não foi possível dar continuidade. Ermolai recomenda que ele e Piotr pernoitem num sítio de posse da mãe de Piotr e de que ele nem fazia ideia (obviamente). Chegando lá ele avista o apiário e segue por um atalho que dá no galpão. Neste lugar ele encontra uma velha conhecida numa situação deplorável. No entanto, da perspectiva dela, sua condição nada tem de penosa ou lamentável. E é aí que está o pulo do gato! Fé, solitude, contentamento e resignação, a curiosidade sobre a desgraça alheia e o quanto ela nos ensina, mindfulness, autossuficiência, deficiência da medicina naquela época, solidariedade, oralidade. Como funciona esse incômodo que mexe com a gente ao ver o sofrimento alheio, mas ao mesmo tempo, como alguns riem disso. Qual é a medida do sofrimento? Uns sofrem mais que outros? Como mensurar isso? Sofrimento/prazer e beleza são aspectos subjetivos da vida. Um ponto que imagino ter sido problema para Ivan ao publicar seja a crítica às personalidades da igreja. Como é possível um conto tão curto gerar tantas indagações e sentimentos?!

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