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    Memórias em Ruínas - http://memoriasemruinas.webnode.com.br/

    Alberto da Cruz

    Multifoco
    2010
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788579611759
    Português Brasileiro
    5
    2 avaliações
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    “Os olhos de minha mãe traduziam vergonha e dor diante de mim, parado a sua frente sem saber o que fazer, como fazer. Eu chorava, ela chorava, chorávamos pelo mesmo motivo, porém por dores diferentes. A dor de minha mãe já não era física, não era seu olho arroxeado, nem os hematomas em seu braço que lhe faziam chorar; a dor de minha mãe era íntima, nascida de fora, mas crescida por dentro, chegando à maturidade em sua alma. Não era seu corpo que doía. A minha dor também não era física, mas vinha bruta da minha consciência, transformando-se em desgosto. A minha dor somava-se à dor de minha mãe, construindo uma dor única: a decepção.” *** Memórias em Ruína é o olhar para o íntimo de um homem prestes a morrer. Recapitulando sua vida arruinada por ações e escolhas de um passado conturbado — pela queda social e por obsessões insensatas — suas lembranças o conduzem ao remorso irreparável. Dizem que, com a proximidade da morte, a mente humana é invadida por imagens do passado, forçando o homem a lembrar-se dos fatos mais marcantes de sua vida, para condená-lo ou absolvê-lo na travessia para o desconhecido. Sem forças para lutar contra a inundação de pensamentos, cabe ao passivo espectador apenas assistir ao seu filme biográfico. Em Memórias em Ruína, Manuel Junqueira está diante de seu longa-metragem. O tempo corre, sem se importar com suas dores mais profundas, revivendo os acontecimentos cruciais de sua vida egocêntrica e sem escrúpulos. Nessas horas a racionalidade se distrai. Tomado pelas recordações dolorosas, Manuel se perde entre o passado e o presente, entre o real e o ilusório, assombrado pelos seus fantasmas, pelas suas memórias em ruínas. Alberto da Cruz, em seu mais novo romance, nos convida a participar dessa sessão privada, penetrando nas memórias de um homem que viveu para si, destruindo sentimentos e se aproveitando daqueles que o amavam para obter sucesso em seus objetivos materiais. Agora que a ampulheta está no fim, resta saber quais as consequências dos erros cometidos no decorrer de sua vida. Site oficial: http://memoriasemruinas.webnode.com.br

    Resenhas (1)Ver mais
    Alberto da Cruz picture
    Alberto da Cruz16/05/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A reinterpretação de um movimento inevitável

    Palavras cheias e vazias, em antagonismos constantes e fundamentais, preenchem as nossas lembranças. Lembranças estas que narram a nossa própria história, vestidas e revestidas de emoções e razões paradoxais. “Memórias em Ruínas”, nesse viés, é a entrega absoluta a esses contrapontos cotidianos, em que a oscilação entre se encontrar e se desencontrar se transparece como uma denúncia da fragilidade humana. Esse romance, em sua fotografia, flagra um momento da vida em que as capas vestidas são, aparentemente, abandonadas. A morte. É possível classificá-la? Erguê-la? Descobri-la? Essa narrativa, de Alberto da Cruz, não se limita a responder perguntas objetivas e práticas, quase científicas. Sua intenção é, portanto, dialogar com esse estado premeditado, que se tornou a única certeza humana – um clichê existencial. A certeza da morte, a aceitação dos erros, a lástima das consequências, esses são, de fato, os elementos edificadores dessa história. Todavia, o que é a arte se não o intenso movimento de construção e reconstrução? Mais do que um retrato, essa é uma reinterpretação de um movimento inevitável, apenas evitado pelo peso das lembranças que, além de marcarem, também sangram as nossas idiossincráticas narrativas. Nossas memórias são marcas. Nossas marcas são denúncias. Nossas denúncias são encontros. Nossos encontros derradeiros são dores, prazeres e pavores convertidos em ruínas. E, nessa circunstância, realmente vestimos máscaras e capas? Ou será que apenas nos despimos das antagônicas palavras cotidianas e nos revestimos de idéias e ideais? Nesse contexto, Memórias em Ruínas nos leva a um passeio psicológico através das imagens apresentadas pelo seu protagonista, Manuel Junqueira, o próprio retrato antagônico de sua existência construída por decepções e amarguras. Daiane Crivellaro - UFRJ http://memoriasemruinas.webnode.com.br/blog/

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    Alberto da Cruz

    Alberto da Cruz nasceu em Angra dos Reis, litoral do estado do Rio de Janeiro, em 1981. Professor de Literatura Brasileira, publicou os romances Intermitência: a separação dói, Obsessão: a verdade sobre meu pai, Paixões Perigosas e Memórias em Ruínas; o livro de contos Pesadelos - contos de Horror e medo e, na poesia, Fragmentos de um beijo. Também participou das antologias poéticas Mosaico e Caleidoscópio.

    5 Livros
    1 Seguidor
    Rio de Janeiro, Brasil

    Alberto da Cruz