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    O Espelho Enterrado - reflexões sobre a Espanha e o Novo Mundo

    Carlos Fuentes

    Rocco
    2001
    398 páginas
    13h 16m
    ISBN-10: 8532511058
    Português Brasileiro
    4.4
    9 avaliações
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    'O espelho enterrado' é um livro de ensaios baseado em uma série de televisão, escrita e apresentada pelo mexicano Carlos Fuentes. O escritor aborda, com equilíbrio e com paixão, os cinco séculos da conquista das Américas pelos espanhóis. Dos espelhos ibéricos de Cervantes e Velásquez aos espelhos enterrados em tumbas indígenas no México; da expulsão dos árabes da Espanha ao massacre dos astecas e incas; de El Cid a Simon Bolívar, chegando aos caudilhos, revoluções e às atuais tensões de fronteira entre México e Estados Unidos, ele discorre sobre o assombroso jogo de reflexos que é a construção da identidade hispano-americana.

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    Gabriel Rocha04/12/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Defronte ao que se é

    A frágil denominação latinoamericana (e caribenha) parte da interpelação, reincidente e frágil, de sua própria origem. O que somos é produto do que fomos e, nesse aspecto, a dizimação, a mescla e o desencontro são o palco de uma disputa eterna entre o sonho e a realidade. A metáfora do espelho, usada por Carlos Fuentes, no contraste, expõe exatamente essa sobreposição: “¿no es el espejo tanto un reflejo de la realidad como un proyecto de la imaginación?” , ele pergunta. Isto é, projeta-se uma homogeneidade construída por uma fatalidade comum, a desgraça; e junto dela, a herança cultural, que é indígena, negra, americana, e tem a Espanha como um “lugar-comum”. Não sem dor, o parto de uma realidade sociopolítica faz, paulatina ou ferozmente, desaparecer aquela a que substitui. Fuentes assim descreve, introduzindo, a própria Espanha como um palco de transformações. Mas se a vida nasce do sacrifício, a América Latina é o lugar mais fértil do Planeta. Ao encontro de sociedades robustas, prósperas e bem estabelecidas, o forte reino espanhol sagra sua conquista a sangue. Por outro lado, a "contra-conquista" é a expoente que verdadeiramente faz a vida ser definida nesse novo lugar, no espaço da mescla. As intenções de absoluto domínio sociocultural sobre os dominados seguiram a tendência que a mesma Espanha conhecera em sua constituição múltipla: o fracasso. Acontece, na verdade, o surgimento de algo novo, misto, que substitui a cultura ali assentada. A contra-conquista é a persistência dos valores, hábitos, modos de uma vida atravessada pela navalha, de uma sociedade dizimada. A nova sociedade americana é uma sociedade ainda mais complexa e múltipla do que a Espanha, multirracial e policultural, sincrética. Na variação da verdade, o espelho é difuso: o que será o povo latinoamericano? Talvez o entremeio, na procura de um passado que não lhe pertence - porque lhe foi arrancado - e no anseio de um futuro que é só utopia, não se pode concretizar dentro dos modelos econômicos e institucionais que as Américas puderam aprender e desenvolver. Se é fato que Carlos Fuentes deposita um facho vertiginoso de lirismo em sua obra, o que parece abonar a culpa histórica dos espanhóis, em outro sentido, é a conurbação entre a mística e a realidade quem proporciona a atmosfera adequada para um livro que trata da composição de um lugar tão misterioso.

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    Carlos Fuentes Macías profile picture

    Carlos Fuentes Macías

    Carlos Fuentes, considerado um dos mais proeminentes dos escritores modernos mexicanos. Filho de diplomata, Fuentes nasceu no Panamá e viveu em vários países, como Argentina, Brasil e EUA. Na adolescência, voltou para o México, onde residiu até 1965. O tempo gasto em casa marcou o seu trabalho, imerso no debate intelectual sobre a filosofia de "mexicano". Escreveu mais de 20 livros, entre eles clássicos da literatura latina como <i>Aura</i> e <i>A Morte de Artêmio Cruz</i>. Figura central e indispesável do romance moderno em castelhano, fez parte do "boom latino-americano" nos anos 60 e 70. Faleceu em 15 de maio de 2012, um dia após ser premiado com o título de doutor <i>honoris causa</i> pela Universidade das Ilhas Baleares pela qualidade e extensão de sua obra.

    57 Livros
    53 Seguidores

    Carlos Fuentes Macías