Mineração, genealogia do desastre (Alternativas) - O extrativismo na América como origem da modernidade

    Horacio Machado Aráoz

    Editora Elefante
    2020
    324 páginas
    10h 48m
    ISBN-13: 9788593115462
    Português Brasileiro

    Esta obra não é um livro de história. É um ensaio histórico-sociológico que pretende colocar na mesa dos debates uma tese sobre o lugar e o papel da mineração moderno-colonial na posterior configuração do projeto civilizatório hegemônico, que dá forma à vida social contemporânea. Nossa tese afirma, de maneira simples, que a mineração moderno-colonial foi o detonante fundamental do Capitaloceno. Aqui se procura demonstrar como esse tipo histórico de exploração das “riquezas” minerais da Terra, nascido do empreendimento da invasão e da conquista colonial do “Novo Mundo”, desencadeou e motorizou toda uma série de grandes deslocamentos geológicos e antropológicos que desembocaram na grande crise ecológico-civilizatória que hoje paira sobre nossa Mãe Terra e, especificamente, sobre nossa comunidade biológica, os humanos. A invasão, conquista e colonização — primeiro, da América e, logo, do mundo inteiro — tiveram na sede pelo ouro a força motriz e o sentido-mor de sua existência, e na eficácia letal do chumbo e do ferro, o meio indispensável de sua realização. Essa perversa liga de metais — a violência a serviço da cobiça — é o que, em definitivo, desde o século XVI, forja as bases materiais e simbólicas do regime de dominação hegemônico moderno.

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    Pedro Sucupira28/04/2026Resenhou um livro
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    2026 LIVRO 10 — Mineração, genealogia do desastre — O extrativismo na América como origem da modernidade, de Horacio Machado Aráoz

    Há livros que informam — e há aqueles que desestabilizam. Mineração, genealogia do desastre, de Horacio Machado Aráoz, pertence decisivamente ao segundo grupo. Nesta análise, mergulhamos em uma obra que recusa o conforto das narrativas tradicionais sobre desenvolvimento e progresso, revelando a mineração como um dos pilares ocultos da modernidade e da colonialidade na América Latina. Mais do que discutir impactos ambientais, o autor expõe uma engrenagem histórica e epistemológica que transforma territórios em zonas de sacrifício e vidas em recursos exploráveis. Ao longo desta leitura, o que se revela não é apenas uma crítica à mineração, mas uma desmontagem rigorosa do próprio sistema que a sustenta e que ainda organiza o mundo contemporâneo. Se você busca compreender a crise ambiental para além do senso comum, este texto é um convite — incômodo, necessário e profundamente atual. Trata-se de uma obra incontornável. Um livro de leitura urgente, desses que não se permitem à neutralidade nem ao conforto. Há nele algo de visceral, quase cortante: as ideias são apresentadas com firmeza, sem concessões retóricas, como quem recusa deliberadamente o véu da complexidade artificial. O próprio autor adverte, em tom quase irônico, que “lamentavelmente, não estamos diante de um grande mistério ou de um enigma científico de alta complexidade”. E, de fato, não estamos. O que o livro faz é justamente expor, com clareza incômoda, aquilo que sempre esteve à vista, mas foi sistematicamente naturalizado. Desde as primeiras páginas, a lógica da obra se impõe com nitidez. Do ponto de vista epistemológico, o gesto central é desestabilizar a narrativa dominante que associa mineração a desenvolvimento, uma equivalência que, longe de ser neutra, revela-se como construção histórica e ideológica. Ao romper com esse enquadramento, o autor desloca o olhar: em vez da perspectiva hegemônica do progresso, emergem outras vozes, outros corpos, outros territórios. Trata-se, em última instância, de produzir conhecimento a partir do lugar do outro ou, mais precisamente, daqueles que historicamente foram colocados na posição de objeto da exploração. A estrutura do livro acompanha esse movimento analítico. No primeiro capítulo, Mineração: colonialismo e colonialidade, estabelece-se o vínculo entre a atividade minerária e a formação da modernidade colonial. O segundo, Mineração: geologia do colonialismo, arqueologia da modernidade, aprofunda essa leitura ao revelar as bases materiais e epistemológicas que sustentam a racionalidade extrativa. No terceiro, Extrativismo mineral e ordem neocolonial, hoje: mineralização e expropriação ecobiopolítica, o autor desloca a análise para o presente, evidenciando a reconfiguração contemporânea dessas dinâmicas sob a lógica neoliberal. Por fim, no quarto capítulo, a reflexão atinge seu ponto mais radical ao abordar a expropriação e a mineralização da própria condição humana, indicando que o extrativismo não se limita à natureza, mas avança sobre a vida em sua dimensão mais profunda. O que se constrói, ao longo dessas páginas, não é apenas uma crítica à mineração, mas uma desmontagem rigorosa da racionalidade que a sustenta. Um livro que não explica um problema: ele revela um sistema. Análise completa do livro no site pedrosucupira.com.

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