Em “Ideias de Canário”, o que parece uma história simples vira quase uma provocação filosófica. O canário muda a forma de enxergar o mundo conforme o ambiente em que vive, e isso me fez pensar o quanto nossas “verdades” também podem ser limitadas pelo lugar e pelas experiências que temos. Não é só sobre um pássaro, é sobre a nossa visão de mundo — e isso incomoda um pouco quando você percebe. Já em “A Igreja do Diabo”, achei ainda mais direto: o Diabo decide criar sua própria igreja, prometendo exatamente o oposto do que é considerado “correto”. No começo dá certo, mas depois tudo se mistura de novo. Aqui, pra mim, Machado escancara uma coisa meio desconfortável: o ser humano é incoerente por natureza. Nem quando a regra é “errar”, a gente consegue ser consistente.
Ideias de canário |A igreja do diabo (Minutos de literatura)
Machado de Assis
SESI-SP Editora
2018
34 páginas
1h 8m
ISBN-13: 9788550404523
Português Brasileiro
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